- O investigador Akli Benali alerta para o risco acrescido de incêndios no Verão nas zonas da região centro afetadas pela depressão Kristin, com milhões de árvores derrubadas.
- Pede um levantamento rigoroso do impacto do conjunto de tempestades que atingiu a região, com destaque para Leiria e o pinhal interior.
- Identifica dois perigos: acessos florestais danificados e biomassa caída nos povoamentos que pode alimentar incêndios; é preciso abrir caminhos para a manutenção.
- A abertura de caminhos facilitaria a gestão florestal, mas a biomassa deixada nos povoamentos aumenta o combustível disponível em caso de incêndio.
- A chuva recente saturou solos, elevando o risco; o timing de próxima chuva e de calor pode influenciar o crescimento de mato; é prioridade identificar proprietários para a gestão do território.
A depressão Kristin deixou um rastro de devastação na zona centro do país, com milhões de árvores e vegetação derrubadas. O risco de incêndios aumenta no verão devido ao combustível disponível nas áreas atingidas, de acordo com o investigador Akli Benali.
Benali, do Centro de Estudos Florestais, pediu um levantamento rigoroso do impacto do fenómeno meteorológico que se fez sentir com maior intensidade em Leiria e no pinhal interior. O objetivo é quantificar extensão, magnitude e impacto das quedas de árvores.
O investigador sublinha que há uma perda de biodiversidade já evidente nas últimas chuvas, com menor capacidade de absorção de água pelo solo. Dois perigos concentram-se: acessos florestais obstruídos e biomassa caída dentro dos povoamentos.
Os acessos florestais representam uma interdição prática que exige intervenção rápida: máquinas no terreno para abrir caminhos e varrer a biomassa para os limites das vias. Esta operação facilita a gestão florestal nos verões seguintes.
Para além disso, a biomassa caída dentro dos povoamentos aumenta a carga de combustível, elevando o risco de incêndio num cenário de calor e vento. O investigador sustenta que este é o principal cenário de preocupação.
As chuvas recentes saturaram os solos, o que pode agravar o risco em caso de novas precipitações. Se chover novamente na primavera, a água no solo aliada à radiação solar poderá favorecer o crescimento acelerado de matos.
Tudo dependerá dos timings entre chuva, calor e radiação solar, explicou Benali. Sem uma definição de calendário, as plantas respondem de forma desigual e o risco de incêndios mantém-se elevado.
No ano passado, a região viveu uma época de incêndios prolongada, associada a chuvas na primavera. O investidor recomenda um novo olhar para a gestão do território e a identificação dos proprietários como prioridade.
A depressão Kristin afetou mais de um milhão de pessoas na região centro, com impactos significativos em Leiria e Santarém. A passagem deixou equipamentos públicos e privados danificados, bem como cerca de milhões de árvores derrubadas ao longo do trajeto.
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