- António Salgueiro, especialista em incêndios, viajou num voo de reconhecimento a 14 de fevereiro e descreveu milhões de árvores no chão e um aumento drástico do risco de incêndio florestal.
- Zonas mais afetadas incluem Valados de Frades (Nazaré) e uma faixa que vai até sul da Figueira da Foz, abarcando Marinha Grande, Vieira de Leiria, Soure e S. Pedro de Moel.
- O Pinhal de Leiria está dentro da área crítica; áreas sobreviventes de tempestades anteriores estão fortemente afetadas, especialmente perto da Marinha Grande.
- O fenómeno envolve um aumento de combustível: estima-se entre quinze e vinte toneladas por hectare, com copas partidas formando camadas inflamáveis de vários metros de altura.
- Medidas de intervenção previstas incluem retirar madeira, triturar ou recorrer a fogo controlado; porém, não será possível resolver tudo antes do Verão, sendo necessário priorizar zonas com maior dimensão de combustível e proximidade a áreas urbanas.
António Salgueiro, especialista em incêndios, esteve num voo de reconhecimento sobre as áreas afetadas pelas tempestades do início do ano. A missão, a bordo de um C295 da Força Aérea, visou avaliar os estragos e o risco iminente de incêndios. O piloto observou uma destruição significativa e uma expectativa de verão particularmente exigente.
O levantamento revelou uma vasta área com árvores partidas e tombadas, o que aumenta o risco de fogo florestal. A área abrange centenas de milhares de hectares, com muitas árvores por recuperar em zonas de eucalipto e pinhal adulto.
Entre os territórios mais atingidos destacam-se Valados de Frades, Nazaré interior, que se estende até sul da Figueira da Foz, incluindo Marinha Grande, Vieira de Leiria, Soure e S. Pedro de Moel. O Pinhal de Leiria surge como núcleo crítico na zona costeira.
O trabalho de campo aponta para a necessidade de retirar a madeira rapidamente. A madeira morta, se deixada no terreno, pode favorecer pragas e aumentar a explosividade dos incêndios, elevando o combustível fino ao nível de várias toneladas por hectare.
A prioridade de intervenção deverá recair sobre as áreas com maior concentração de combustível e proximidade a zonas urbanas. O objetivo é planear ações rápidas, com eventuais fogo controlado, sempre com dispositivo de combate robusto para agir caso seja necessário.
Não é expectável que o verão seja limpo de riscos. A equipa aponta que, mesmo com ações, será impossível limpar tudo até essa época. Uma estratégia de resposta rápida e ações priorizadas é apresentada como essencial.
O maior foco reside na preparação de um dispositivo de ataque inicial musculado, capaz de travar ignições e conter zonas com maior concentração de combustível. Técnicos defendem mudanças na gestão legal de fogo controlado para reduzir responsabilidade individual em acidentes.
A ideia é avançar com uma abordagem integrada, combinando retirada, trituração e fogo controlado, alinhando esforços com municípios. O objetivo é reduzir o impacto e manter a capacidade de resposta diante de condições climáticas adversas neste verão.
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