- Um mês após a passagem da depressão Kristin na zona centro, com destaque para Leiria e pinhal interior, é pedido um levantamento rigoroso do impacto do conjunto de tempestades.
- O investigador Akli Benali aponta dois perigos: acessos florestais por limpar e o impacto dentro dos povoamentos, com pequenas árvores caídas em zonas de difícil acesso que podem ser combustível para incêndios.
- A solução passa por abrir caminho com máquinas e remover a biomassa, tornando a gestão da floresta viável nos próximos verões; caso contrário, a biomassa impede a passagem e aumenta o risco.
- As chuvas recentes saturaram os solos, elevando o risco de novos incêndios na primavera se houver mais precipitação, já que a água no solo favorece o crescimento de mato.
- O investigador defende um novo olhar para a gestão do território e a identificação dos proprietários; a depressão Kristin afetou mais de um milhão de pessoas na região, destruindo infraestruturas e milhões de árvores.
A depressão Kristin deixou marcas na zona centro do país, especialmente em Leiria e no pinhal interior. Um mês depois do evento, o clima de tempestades que se seguiu é alvo de avaliação por parte do Centro de Estudos Florestais. O objetivo é quantificar extensão e magnitude dos estragos.
O investigador Akli Benali aponta para um levantamento rigoroso do que ficou: queda de árvores e alterações na biodiversidade. A chuva recente diminuiu a capacidade de absorção de água, aumentando o risco de novos impactos no ecossistema.
Foram identificados dois grandes riscos: os acessos florestais, que precisam de clarificação, e o impacto dentro dos povoamentos, com conjuntos de árvores caídas em zonas de difícil acesso. A remoção tradicional pode não ser rentável.
Desafios na gestão de acessos
A solução proposta passa por colocar máquinas no terreno para abrir caminhos. Depois, a biomassa acumulada pode ser removida e integrada na gestão de caminho, tornando a manutenção viável para este e para próximos verões.
A biomassa caída nos povoamentos representa combustível potencial em caso de incêndio. A limpeza rápida reduz o risco, mantendo vias de passagem seguras e facilitar ações futuras de monitorização.
Além disso, as chuvas intensas saturaram os solos, o que pode agravar riscos na primavera seguinte. A combinação de água no solo, radiação solar e crescimento de matos depende do timing de chuva e calor.
O investigador recorda que o ano passado já teve uma temporada de incêndios complicada devido à chuva na primavera. O foco passa pela gestão territorial para reduzir vulnerabilidades.
Para além de impactos ambientais, o evento afetou mais de um milhão de pessoas na região centro. Leiria e Santarém foram as áreas mais atingidas, com danos em infraestruturas, casas e serviços públicos.
Medidas a considerar
Entre as prioridades está a identificação dos proprietários das áreas afetadas para uma gestão mais eficiente do território. A coordenação entre entidades públicas e proprietários é citada como essencial.
Entretanto, o cenário de recuperação depende de intervenções rápidas de abertura de acessos e de um plano de manutenção florestal contínuo. A ação coordenada visa reduzir riscos de incêndio e facilitar a resposta a emergências.
O estudo reforça a necessidade de monitorizar a evolução dos impactos, incluindo a capacidade de absorção de água, a biodiversidade e o vigor dos povoamentos. A avaliação contínua orientará decisões futuras.
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