- O governo alemão adiou a decisão sobre o futuro da directora artística do festival de Berlim, Tricia Tuttle, envolta numa polémica sobre Israel e a Faixa de Gaza.
- A controvérsia surge de declarações do realizador Abdallah Alkhatib, que, na cerimónia de encerramento, qualificou o governo alemão de “cúmplice do genocídio em Gaza” ao apoiar Israel.
- O ministro do Ambiente, Carsten Schneider, abandonou a cerimónia e descreveu as palavras como uma “ameaça implícita”; o encontro para esclarecer os factos foi marcado para discutir o futuro do festival.
- O Bild chegou a avançar com a demissão de Tuttle, mas a informação não foi confirmada pelo governo; uma foto publicada alegadamente mostra-a com bandeiras palestinas junto de elementos da equipa do filme “Chronicles from the siege”.
- Assinaturas a defender a independência institucional da Berlinale ultrapassaram 1.600 pessoas na indústria cinematográfica, com nomes como Tilda Swinton e Todd Haynes; mais de 500 profissionais do festival apoiam Tuttle, diretora artística desde 2024.
O Governo alemão adiou, nesta quinta-feira, a decisão sobre a continuidade de Tricia Tuttle na direção artística da Berlinale. A polémica envolve declarações do realizador Abdallah Alkhatib, acusado de genocídio em Gaza, proferidas na cerimónia de encerramento do festival.
Alkhatib, sírio-palestiniano premiado pelo filme Chronicles from the siege, afirmou que o governo alemão é cúmplice do que descreveu como genocídio ao apoiar Israel. O ministro do Ambiente, Carsten Schneider, abandonou o auditório e qualificou as palavras como uma ameaça implícita.
A imprensa alemã indicou, sem confirmação oficial, que a demissão de Tuttle seria certa; o Governo limitou-se a anunciar que iria esclarecer os factos da 76.ª Berlinale e discutir o futuro do festival. Uma fotografia apresentada pelo Bild mostraria Tuttle junto de membros da equipa de Chronicles from the siege.
Desde o encerramento do festival, mais de 1.600 profissionais da indústria assinaram uma carta a defender a independência institucional da Berlinale. Entre os signatários constam nomes como Tilda Swinton e Todd Haynes, que descrevem o festival como espaço político amplo, não partidário.
Mais de 500 trabalhadores do festival saíram em defesa de Tuttle, que dirige a Berlinale desde 2024. A 76.ª edição, concluída no fim de semana, já tinha gerado polémica pela posição do cineasta Wim Wenders, que pediu que os cineastas se mantenham fora da política.
Durante o certame, 80 profissionais publicaram uma carta a pedir à Berlinale que se oponha ao que consideram genocídio israelita. Em resposta, Tuttle emitiu um comunicado que defende a liberdade de expressão no festival e o direito dos artistas de escolherem como se posicionar.
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