- Especialistas alertam para aumento do risco de incêndios neste Verão devido ao combustível acumulado na floresta, após tempestades e cheias que deixaram solos saturados e biomass no solo.
- Propõem começar já com limpezas e remoção de combustível fino, com um Plano A (retirar o máximo possível) e um Plano B (montos de zonas limpas para criar mosaicos de intervenção).
- A madeira caída representa risco a médio e longo prazo (cinco a dez anos), podendo favorecer pragas e gerar danos económicos se permanecer no solo.
- Debate sobre o Pinhal de Leiria: alternativas vão desde regeneração natural até uma floresta diversificada, evitando estruturas puramente dunar ou pinhal homogéneo.
- Recomendação de repensar o urbanismo e criar corredores verdes, com espécies mais resistentes ao calor e menor necessidade de água, para reduzir vulnerabilidades futuras perante eventos climáticos extremos.
Portugal ainda não repousou após as tempestades, mas o alerta de prevenção de fogos mantém-se. Especialistas afirmam que há muito combustível acumulado e que a limpeza é urgente já.
A destruição recente deixou solos saturados e uma camada de biomassa no solo. Ventos fortes derrubaram árvores e as cheias espalharam humidade, gerando condições propícias ao fogo com a aproximação do verão.
A avaliação dos estragos e o planeamento da recuperação avançam, mas o risco de incêndios permanece elevado. A previsão indica que o combustível disponível pode aumentar a propagação caso haja períodos secos.
Plano A e plano B
Paulo Fernandes, investigado pela UTAD, aponta que a limpeza de combustível fino tem de iniciar já, para reduzir o risco imediato de ignições rápidas. O volume de biomassa pode chegar a níveis críticos em zonas afetadas.
António Correia, do Centro de Estudos Florestais, sublinha que solos encharcados, calor e vegetação seca geram dois anos muito preocupantes em matéria de incêndios, com material fino a secar rapidamente.
Francisco Ferreira, da associação Zero, alerta para o risco dramático da biomassa acumulada. Defende um mosaico de intervenções: limpeza extensiva onde viável e ações direcionadas onde não for possível remover tudo.
Gestão de biomassa e intervenções
O acompanhamento aponta que, em zonas mais atingidas, o combustível fino pode aumentar substancialmente. Se já existiam dezenas de toneladas por hectare, as tempestades elevam esse total, elevando o risco de incêndio a partir de verão.
A responsabilidade de recuperação não é apenas pública, pois grande parte do território é privado. A fiscalização deve reconhecer os danos, sem descurar a sensibilização das comunidades.
Ferreira propõe um modelo de atuação: retirar o máximo de biomassa e, onde não for possível, criar zonas tratáveis que interrompam a propagação do fogo. Em alguns locais, também se consideram fogos controlados, onde economicamente sensível.
Riscos a médio e longo prazo
Os especialistas advertem que a madeira caída no chão permanece um risco por anos. Se não removida, pode apodrecer e favorecer a disseminação de pragas, além de reduzir o potencial económico da madeira existente.
O debate sobre o Pinhal de Leiria reacende-se: regresso à linha dunar natural, regresso a um pinhal homogéneo ou uma floresta diversificada. Cada caminho tem implicações distintas para a proteção de dunas, agricultura e espaços urbanos.
Reconfigurar as cidades e o verão
As urbes mostraram fragilidades. Em muitos locais, árvores caíram por más escolhas de plantação ou gestão urbana. A impermeabilização de solos acelerou o transporte de cheias, exigindo reavaliação de projetos de reconstrução.
Especialistas defendem redesenhar áreas urbanas com corredores verdes, espécies mais resistentes ao calor e menor rega, para reduzir vulnerabilidades a fenómenos extremos.
Perspetiva de verão
Analistas mantêm que é improvável um verão sem incêndios. A região mediterrânica tende a registar fogo, com isso não estando assegurada a ausência de grandes incêndios. A adaptação climática pode reduzir danos, mas não elimina riscos.
Os especialistas concluem que a resposta deve ocorrer já. A atuação imediata é crucial para reduzir a propagação de incêndios e preparar o território para futuros episódios de tempo extremo.
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