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Pela paz, artistas exploram a guerra através da arte

Exposição na Maia reúne mais de quarenta artistas, reflecte sobre guerra e paz e junta arte, ética e ativismo como resposta coletiva

Aleppo(nica), paralelo entre a destruição de Aleppo (Síria) e de Guernica (Espanha/País Basco), desenhada por Picasso
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  • A Maia recebe a exposição Um Mundo (s)em Guerra, no Fórum da Maia, até 1 de março, como parte do 15.º aniversário da Uivo — Mostra de Ilustração.
  • Mais de quarenta artistas apresentam trabalhos que relacionam conflitos, resistência, criatividade e amor, incluindo um núcleo internacional e onze ilustrações criadas por alunos de escolas superiores de arte.
  • Nas paredes exteriores há quatro ilustrações do artista mexicano David Álvarez; no interior, a Casa da Democracia funciona como refúgio, e o projeto de Fuad Alymani envolveu jovens de 10 a 18 anos.
  • Exposição inclui cartazes da campanha Stand with Ukraine e ilustrações do estúdio Aza Nizi Maza, destacando a arte como espaço de diálogo e repulsa à guerra.
  • Isidro Ferrer deu uma masterclass sobre o livro No, de Paula Carbonell, discutindo a relação entre guerra, ética e expressão artística.

Na Maia, a 15. Uivo — Mostra de Ilustração apresenta a exposição Um Mundo (s)em Guerra, até 1 de Março no Fórum da Maia. São mais de 40 artistas que refletem sobre guerras, conflitos, resistência e a capacidade humana de amar. Esta mostra funciona como reflexão e ativismo.

A curadoria, de Cláudia Melo, sublinha a ideia de paz construída coletivamente, associando arte, ética e imaginação. O objetivo é evidenciar a função da ilustração contemporânea como ferramenta de transformação social.

Para Isidro Ferrer, figura relevante da ilustração espanhola, a exposição é necessária para debater o posicionamento ético diante dos conflitos bélicos, pausar o impulso emocional e reconhecer impactos reais na humanidade. O projecto expõe também um livro de Ferrer, No, que integra relatos de Paula Carbonell.

Além do núcleo internacional, a Praça do Fórum exibe 11 ilustrações criadas por estudantes de várias escolas superiores de arte, incluindo a Universidade do Porto e o Instituto Politécnico do Porto, entre outras instituições.

As paredes externas do Fórum exibem quatro ilustrações em grande formato do artista mexicano David Álvarez. No exterior, destaca-se ainda o conjunto Stand with Ukraine, com cartazes de artistas ucranianos, e obras do estúdio Aza Nizi Maza, que transformou o espaço criativo em abrigo durante a guerra.

No interior, a Casa da Democracia abre como espaço simbólico de refúgio, promovendo o diálogo através da arte e da participação comunitária, segundo a organização da exposição.

Durante a mostra, Ferrer partilhou o processo criativo do seu livro, apresentado numa masterclass. Ele recuou ao texto original de Paula Carbonell, escrito após a violência no Iraque, e explicou que a leitura motivou a criação de ilustrações, desenvolvidas ao longo de quatro meses com base em experiências cénicas e dramáticas.

O livro No nasceu de um impulso visceral para expressar a repulsa perante conflitos recentes a nível global, incluindo situações no Sudão, Ucrânia e no Médio Oriente. O processo incluiu recursos de cenografia para explorar iluminação, movimento e espaço cênico.

Entre os conceitos centrais de No estão a escada, que simboliza ascensão e acesso ao bem, e um buraco crescente que representa o vazio e o terror. A narrativa visual reforça a dicotomia entre esperança e desespero ao longo da leitura.

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