- Um antigo administrador da Tranquilidade afirmou em tribunal que empréstimos ordenados em 2014 por Ricardo Salgado ao Grupo BES/GES delapidaram património da seguradora, mas a empresa não ficou em perigo de incumprimento.
- Os empréstimos, superiores a 150 milhões de euros, viram apenas um reembolsado; o administrador afirmou que as operações tinham sido instruídas pelo acionista único e que quem confrontasse Salgado seria despedido.
- A Comissão Executiva da Tranquilidade não aprovou as operações, com o desconforto a dever-se ao montante elevado e à alegada falta de enquadramento na política de investimento, apesar de haver expectativa de um aumento de capital do BES.
- O financiamento foi justificado por Salgado com um aumento de capital do BES em junho de 2014, de 1,05 mil milhões de euros, o que levou administradores a considerar o risco baixo e a confiar que os empréstimos seriam reembolsados.
- No âmbito do caso BES/GES, o julgamento, que decorre desde outubro de 2024 em Lisboa, envolve 18 arguidos e acusações de associação criminosa, corrupção no setor privado e burla qualificada, com prejuízos estimados em 11,8 mil milhões de euros.
Miguel Moreno, antigo administrador da Tranquilidade, afirmou em tribunal que a seguradora delapidou-se por financiamentos ao Grupo Espírito Santo (GES) ordenados em 2014 por Ricardo Salgado. Contudo, garantiu que a Tranquilidade não ficou em perigo e pôde cumprir os seus compromissos.
As operações em causa incluem a compra de títulos de dívida de sociedades do GES, realizadas pela Tranquilidade no primeiro semestre de 2014. Moreno disse que esses empréstimos, totalizando mais de 150 milhões de euros, apenas um foi reembolsado.
Segundo o testemunho, as instruções partiram do acionista único, Ricardo Salgado, e a Comissão Executiva não opôs resistência, mantendo-se o regulamento interno de não confrontar o banco. Quem o fizesse poderia ser despedido.
Isabel Almeida, então diretora do Departamento Financeiro, de Mercados e de Estudos do BES, seria porta-voz de Salgado para estes assuntos, segundo a leitura do antigo administrador financeiro. O MP questionou o desconforto da Tranquilidade com os montantes.
A defesa explicou que os empréstimos eram de grande monta e não encaixavam na política de investimento da seguradora. Mesmo assim, os administradores consideraram o financiamento com baixo risco por relação com o aumento de capital do BES.
O administrador afirmou que não imaginavam que o BES/GES estivesse a beira do colapso e que o aumento de capital, de 1.050 milhões de euros, iria resolver a situação. Na altura, vinham-se traduzindo expectativas positivas.
O depoimento surge no contexto do julgamento do caso BES/GES, que envolve 18 arguidos, incluindo Ricardo Salgado e Isabel Almeida. A acusação aponta prejuízos superiores a 11,8 mil milhões de euros entre 2009 e 2014.
Os crimes imputados incluem associação criminosa, corrupção no setor privado e burla qualificada. O julgamento decorre no Tribunal Central Criminal de Lisboa desde 15 de outubro de 2024.
Em 2015, o Novo Banco vendeu a Tranquilidade ao fundo Apollo, que 이후 vendeu-a em 2019 à Generali. O processo principal continua a apurar responsabilidades pelos impactos no BES e no GES.
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