- Em Alenquer, cerca de 400 hectares de vinhas foram afectados pela tempestade Kristin e outras ocorrências, com prejuízos estimados em 1,7 milhões de euros.
- Os produtores da região de Lisboa reclamaram que esses prejuízos seriam contemplados pelos apoios do Governo anunciados, já confirmados no despacho de calamidade.
- O Governo publicou o despacho que alarga o estado de calamidade a mais 22 concelhos, incluindo Alenquer, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço.
- A Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa e a Associação de Viticultores de Alenquer indicam que, apesar de os números ainda estarem em consolidação, os danos devem comprometer a campanha vitivinícola deste ano.
- Pedem clarificação do conceito de prejuízo superior a 30% e a abertura de medidas adicionais de apoio, incluindo reestruturação de vinhas (VITIS) e reconhecimento de força maior para facilitar o restabelecimento produtivo.
Os temporais que atingiram Lisboa e zonas vizinhas causaram danos significativos na região de Alenquer, onde 400 hectares de vinhas ficaram afetados. Os prejuízos apontados chegam a 1,7 milhões de euros, segundo a CVR de Lisboa e a AVA.
Os produtores de Alenquer registaram os números junto da CCDR Lisboa e Vale do Tejo. A informação foi divulgada num comunicado conjunto, que também aponta a fragilidade de várias explorações perante deslizamentos de terras, abatimentos de solo e estradas intransitáveis.
Na mesma altura, o Governo publicou um despacho que alarga o estado de calamidade a 22 concelhos, entre eles Alenquer, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço, permitindo medidas de exceção para a região.
Esses mesmos organismos destacam que os prejuízos já eram visíveis no terreno, com impactos nas vias de acesso, drenagens e manuseio de equipamentos, obstáculos que dificultam o trabalho agrícola diário.
Apoios e medidas anunciadas
A CVR de Lisboa e a AVA reforçam que os números ainda estão em consolidação, mas destacam a necessidade de apoio ao restabelecimento do potencial produtivo. Em particular, pedem clarificação sobre o limiar de 30% de prejuízo.
Solicitam ainda que o Ministério da Agricultura defina medidas de reestruturação e conversão de vinhas, incluindo a abertura de apoios adicionais ao VITIS. A formalização de força maior também está entre as exigências.
No panorama regional, o impacto em Alenquer preocupa pela imagem da região como terroir dos Vinhos de Lisboa e pela dependência de setores vitivinícolas para a economia local.
Contexto e perspetivas
Entre os impactos imediatos, há deslizamentos, deformações do solo, danos em postes, arames e sistemas de drenagem, com acessos cortados a várias parcelas e dificuldades logísticas para as operações agrícolas.
A situação na região compõe um quadro mais amplo de danos também sentidos no Centro e no Douro, onde municípios registam perdas relevantes em infraestrutura e na produção de vinho, após o episódio de mau tempo.
Em Bruxelas, o Conselho de Ministros da Agricultura aprovou medidas de apoio ao setor vitivinícola, incluindo estímulos ao arranque de vinha, adaptação climática e simplificação de práticas de rotulagem. Portugal acompanha com pedidos de reforço financeiro e de flexibilidade.
O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, saudou as medidas da UE, mas sublinhou que faltaram instrumentos para recuperar fundos não utilizados, que poderiam mitigar perdas significativas no setor.
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