- A Ordem dos Nutricionistas alerta para o boom de gomas como suplementos, com oferta cada vez maior, inclusive para crianças.
- Esses produtos não passam pelo Infarmed e são regulados pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), com regras diferentes das dos medicamentos; são de venda livre.
- Existem riscos como potenciais interações com medicamentos e efeitos no funcionamento do fígado e dos rins, especialmente em doentes crónicos ou sem indicação clínica clara.
- A bastonária defende uma campanha de sensibilização à população sobre os perigos do uso indevido de suplementos e a necessidade de orientação profissional.
- Considera-se a hipótese de alterar a legislação via uma petição pública à Assembleia da República para abrir caminho a uma maior regulação desses produtos.
A Ordem dos Nutricionistas alerta para o aumento da procura por gomas e suplementos, que se tornam uma opção cada vez mais popular para dormir melhor, manter o foco ou melhorar a aparência física. A bastonária, Liliana Sousa, sublinha o ritmo acelerado deste mercado e a dificuldade em acompanhar a demanda.
Os nutricionistas lembram que estas gomas não passam pelo crivo da autoridade de medicamentos. Ao responderem à DGAV, seguem regras distintas das dos fármacos, o que implica menor controlo e fiscalização em relação à segurança e aos seus efeitos.
A dosagem e a promoção podem ser feitas por pessoas não qualificadas, sem orientação médica. Além disso, o uso indiscriminado pode interferir com tratamentos médicos, especialmente em doentes crónicos que usam medicação regular.
Riscos e lacunas regulatórias
As gomas são de venda livre, com liberdade de posologia, o que aumenta os riscos para crianças e para quem tem condições de saúde preexistentes. A maior preocupação é a potencial interação com medicamentos e efeitos sobre o fígado e os rins.
Liliana Sousa aponta ainda que muitos rótulos não asseguram regulamentação adequada, levando os consumidores a acreditar em benefícios não comprovados. A bastonária defende maior comunicação pública sobre perigos e limites de utilização.
O papel da comunicação pública
A ON admite a hipótese de lançar uma campanha de sensibilização para esclarecer a população sobre suplementos nutricionais. O objetivo é apresentar os riscos e as limitações de uso, sem induzir decisões inadequadas.
A responsável sugere também uma possível intervenção política, com pedido de alteração legislativa. Uma petição pública dirigida à Assembleia da República poderia incentivar debates sobre a regulamentação dos produtos sem prescrição médica.
Caminhos futuros
Segundo a ON, alterações legais significativas dependem de mobilização pública e da pressão de cidadãos. Enquanto isso, a bastonária reforça a necessidade de avaliar casos individuais com acompanhamento clínico para evitar interações indesejadas.
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