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Médico julgado por facilitar utentes do privado a consultas no SNS

Médico oftalmologista, de 65 anos, será julgado por abuso de poder por facilitar consultas no SNS a pacientes do privado, fugindo à fila que, em 2021, excedia os 1.700

Médico oftalmologista ajudou utentes que atendia no privado a 'furar' fila no SNS
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  • Um médico oftalmologista, de 65 anos, vai a julgamento no Tribunal da Guarda por abuso de poder, alegadamente para que utentes que atendia no privado fossem atendidos mais rapidamente no SNS.
  • O profissional exercia em três unidades de saúde – na Guarda, Seia e Mêda – e marcava consultas no SNS para esses utentes, que pagavam entre 60 e 80 euros por consulta nas clínicas privadas.
  • Em termos práticos, os pacientes do privado eram atendidos perto de um mês, enquanto a lista de espera pública da especialidade na Guarda excedia, em 2021, os 1.700 utentes.
  • O juiz de instrução entendeu haver fortes indícios de abuso de funções para favorecer pacientes do privado, motivação económica e divergências com a administração, com a intenção de ser diretor de oftalmologia da unidade.
  • O médico não nega os factos, mas sustenta que não constituem crime e afirma que será absolvido, tal como ocorreu noutros processos semelhantes em que esteve envolvido.

Um médico oftalmologista de 65 anos vai a julgamento no Tribunal da Guarda por abuso de poder. Acusam-no de ter feito com que utentes que atendia em clínicas privadas pudessem furar a fila do serviço público de oftalmologia do Hospital da Guarda, para serem atendidos mais rapidamente. Os factos remontam a 2020 a 2024.

O médico exercia em três unidades de saúde: Guarda, Seia e Mêda. Segundo o Jornal de Notícias, marcava consultas no SNS para pacientes privados, que pagavam entre 60 e 80 euros por consulta. Em vez de esperar na fila pública, estes eram atendidos em cerca de um mês, quando a fila pública excedia um ano.

No final de 2021, a lista de espera para oftalmologia na Guarda excedia as 1.700 pessoas. O juiz de instrução entendeu haver fortes indícios de abuso das funções para favorecer pacientes privados, motivado por interesses económicos e divergências com a administração. O arguido terá ambições de integrar a direção da unidade.

O médico não nega os factos, mas sustenta que não constituem crime. A defesa espera a absolvição, citando casos semelhantes em que esteve envolvido. O processo segue agora para julgamento no tribunal camarário.

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