- A Greenpeace alerta que, ao aquecer comida em recipientes de plástico, o conteúdo pode libertar centenas de milhares de microplásticos em poucos minutos.
- Estudos citados indicam que recipientes de polipropileno libertam entre 326 mil e 534 mil microplásticos após cinco minutos no micro-ondas; caixas de polipropileno e poliestireno podem liberar entre 100 mil e 260 mil partículas num ciclo doméstico de refrigeração e aquecimento.
- Além de partículas, o relatório aponta a libertação de aditivos químicos; o impacto é maior em alimentos gordurosos, ácidos ou salgados.
- A presença de microplásticos e nanoplásticos já foi detetada em várias partes do corpo humano, com estudos a sugerirem inflamação, alterações ao microbioma e impactos no sistema imunitário; ainda não há consenso sobre a quantidade real no organismo.
- Regulamentação permanece fragmentada entre Estados Unidos e União Europeia; a Greenpeace pede precaução, eliminação de declarações enganosas e redução drástica da produção de plástico, com foco em embalagens reutilizáveis.
O Greenpeace International alerta para um risco presente nas refeições prontas: o aquecimento de comida em recipientes plásticos pode liberar centenas de milhares de microplásticos nas refeições. O relatório foi divulgado nesta terça-feira e baseia-se numa análise de 24 artigos científicos publicados desde 2021.
Segundo o documento, a migração de partículas do plástico para os alimentos aumenta significativamente quando o invólucro é aquecido no micro-ondas ou no forno. Materiais como polipropileno, poliestireno, polietileno e PET são os mais usados na indústria alimentar e estão no centro da avaliação.
Entre os dados citados, um estudo indicou a libertação de entre 326 mil e 534 mil microplásticos por contenção de polipropileno após cinco minutos no micro-ondas. Outro mostrou 100 mil a 260 mil partículas libertadas após um ciclo de refrigeração e aquecimento, com embalagens previamente congeladas.
A Greenpeace evidencia que alimentos mais gordurosos, ácidos ou salgados podem extrair mais partículas e químicos do plástico. Além das partículas sólidas, o relatório menciona libertação de aditivos como plastificantes, estabilizadores e antioxidantes, usados na manufactura para conferir resistência e flexibilidade.
A organização ressalva que existem milhares de substâncias identificadas nos plásticos, com milhares consideradas de preocupação. Entre os aditivos, destacam-se ftalatos, bisfenóis e PFAS, que podem migrar para os alimentos durante o aquecimento.
Efeitos na saúde humana
O relatório aponta que a migração de compostos ainda não é totalmente compreendida, mas há evidências de presença de microplásticos e nanoplásticos no sangue, placenta, leite materno e órgãos. Estudos de células humanas sugerem inflamação e danos teciduais, com potenciais impactos no microbioma e no sistema imunitário.
Existem críticas a métodos de investigação na área, nomeadamente quanto à quantificação e à quantidade real que pode acumular-se no corpo humano. Investigadores passam a debater os métodos, sem descartar a existência de acumulação de plásticos no organismo.
A bibliografia associa a presença de resíduos plásticos a riscos de infertilidade, disfunções endócrinas e doenças metabólicas. O tema é particularmente sensível durante a gestação, infância e puberdade, devido a possíveis efeitos permanentes a baixas doses.
Regulamentação e apelos da Greenpeace
A regulação permanece fragmentada: a FDA afirma não haver risco comprovado aos níveis existentes, mas admite a ausência de métodos padronizados de medição. Na UE, a avaliação de substâncias em contacto com alimentos foca o risco, deixando abertura a compostos classificados como de elevada preocupação.
A Greenpeace defende o princípio da precaução, a eliminação de declarações potencialmente enganosas como microondas seguro e o avanço para embalagens reutilizáveis e com menos químicos perigosos. O grupo apela a reduções rápidas na produção de plástico e a eliminação de embalagens descartáveis, incluindo as de refeições pré-cozinhadas.
O pacote de recomendações insere-se no contexto de negociações de um Tratado Global sobre Plásticos. A organização sustenta que reduzir drasticamente a produção de plástico até 2040 é essencial para proteger a saúde pública e o ambiente.
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