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Apenas 40% dos professores sentem-se prontos para ensinar alunos com necessidades

Quatro em cada dez docentes sentem-se preparados para NEE; a carência de formação e de psicólogos agrava-se no interior, especialmente no Alentejo

Só quatro em cada 10 professores se sentem preparados para ensinar alunos com necessidades específicas
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  • Apenas 39% dos professores referem-se a sentir-se preparados para um modelo inclusivo que integre alunos com NEE, e 42% dizem necessitar de formação em equidade e diversidade.
  • O estudo aponta ainda que 54% dos docentes consideram precisar de formação para o ensino em turmas multiculturais.
  • Mais de 57% dos alunos com NEE graves passam mais de quarenta por cento do tempo afastados da turma.
  • A dificuldade é mais gravosa no interior do país, nomeadamente no Alentejo, sobretudo em contextos socioeconómicos mais desfavorecidos.
  • A OPP recomenda o reforço da autonomia de municípios e escolas para respostas à diversidade local e um rácio de pelo menos um psicólogo para quinhentos alunos.

O que acontece, segundo um relatório da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), é que apenas 39% dos professores se sentem preparados para ensinar alunos com Necessidades Educativas Específicas (NEE). A percentagem surge de estudos entre 2018 e 2023, citados pela OPP. A maioria admite necessidade de formação adicional.

A bastonária Sofia Ramalho explicou à Lusa que muitos docentes sentem falta de ferramentas para lidar com NEE sem comprometer os restantes alunos da turma. O estudo analisa ainda a necessidade de estratégias diferenciadas para todos os estudantes presentes.

Segundo o documento da OPP, 54% dos professores consideram essencial formação para o ensino em turmas multiculturais, numa altura em que o Governo prepara uma revisão do regime da educação inclusiva.

Contexto e dados-chave

A definição de NEE abrange respostas educativas diferenciadas, incluindo recursos, apoios e medidas específicas para superar barreiras à aprendizagem e à participação. O relatório relaciona inclusividade com desenvolvimento académico, pessoal e socioemocional.

Mais de metade dos alunos com NEE graves passam, conforme a OPP, mais de 40% do tempo afastados da sala de aula, o que evidencia desafios na prática educativa inclusiva.

A bastonária defende que a solução não passa por retirar alunos da sala, apelando a docentes com maior formação em NEE e a maior presença de psicólogos para desenhar estratégias eficazes.

Desafios regionais e soluções propostas

A dificuldade de resposta adequada é mais aguda no interior, especialmente no Alentejo, onde contextos socioeconómicos mais desfavorecidos agravam os problemas de implementação.

A OPP recomenda reforçar a autonomia de municípios e escolas para desenhar respostas ajustadas à diversidade local, bem como alcançar um rácio mínimo de um psicólogo para 500 alunos.

Benefícios de um modelo inclusivo

O documento aponta que a educação inclusiva pode reduzir custos em Saúde Pública e assistência social, ao promover maior escolaridade e melhores condições de vida para crianças com NEE. A aposta também pode aumentar as taxas de conclusão do Ensino Superior entre estes alunos.

A OPP publicou ainda um guia para reconhecer e apoiar crianças com NEE em casa e na escola, designado Vamos falar sobre Necessidades Educativas Específicas, com foco em NEE e Neurodivergência, incluindo casos de autismo, hiperatividade ou dislexia.

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