- O ministro da Defesa, Boris Pistorius, autorizou cerca de 35 mil milhões de euros para armar o espaço no ano passado, segundo a notícia.
- A Alemanha considera o espaço uma componente central da segurança nacional e da dissuasão militar, com satélites a desempenhar funções de reconhecimento e comunicações.
- A Bundeswehr possui entre oito e dez satélites, principalmente para reconhecimento (SAR-Lupe, SARah), mas a frota é vista como obsoleta.
- A dissuasão espacial envolve medidas não cinéticas, como cegagem de sensores ópticos ou interferência de sinais, para degradar sistemas inimigos sem destruição no espaço.
- O projeto SATCOMBw Phase 4 pretende ligar forças em todo o mundo por comunicações por satélite, ao contrário de uma constelação de milhares de satélites como a Starlink.
A Alemanha está a reforçar as suas capacidades no espaço, com o Ministério da Defesa a investir cerca de 35 mil milhões de euros até 2030 para armamento espacial. O objetivo é ampliar a dissuão e a capacidade de observação das Forças Armadas alemãs.
O Vice-Almirante Thomas Daum, inspetor do Ciberespaço e do Espaço de Informação das Bundeswehr, afirma que o espaço se tornou um campo de batalha com impacto direto nas funções em terreno. A frota atual inclui oito a dez satélites de reconhecimento e de comunicações, considerada parcialmente obsoleta.
Daum sublinha que incidentes no espaço teriam consequências relevantes no terreno, com interrupções a infraestruturas centrais caso um satélite falhe. A mudança de ameaça levou a ver o espaço como componente central da segurança nacional, não apenas como área de investigação.
A Alemanha planeia respostas de dissuasão baseadas na reciprocidade. Em setembro do ano passado, o Governo anunciou cerca de 35 mil milhões de euros para reforçar capacidades até 2030, incluindo o sistema de reconhecimento espacial SPOCK, em uso já desde início de 2026.
O sistema SPOCK resulta de uma cooperação com a Iceye e a Rheinmetall, ligando uma constelação de satélites de radar para fornecer imagens contínuas da superfície. As imagens permitem observar movimentos e mudanças no terreno, em qualquer condição climática.
Segundo Daum, a dissuasão no espaço envolve medidas não cinéticas que limitam a utilização de sistemas inimigos sem recorrer à destruição direta. Entre opções estão a cegagem de sensores ópticos e interferência em satélites de comunicação.
O conceito político envolve também o respeito por acordos internacionais, incluindo os Artemis, que promovem evitar detritos espaciais. A Alemanha defende intervenções reversíveis para limitar o uso de satélites adversários sem criar lixo orbital.
Por outro lado, a Bundeswehr aposta numa rede de comunicações por satélite para manter operações no terreno. O projeto SATCOMBw Fase 4 visa ligar tanques, navios, aviões e soldados em várias regiões, com foco no flanco oriental da NATO.
Ao contrário de grandes satélites isolados, a ideia é avançar para uma rede de comunicações mais resiliente, com redundância. A ênfase está na continuidade das funções de apoio em tempo de crise e de paz.
A guerra na Ucrânia evidenciou a importância estratégica destes sistemas, especialmente para controlos de drones e comunicações entre unidades. A SpaceX também tem desempenhado papel, com uso de redes de satélites por diversos atores, sob controlo recente de bloqueios de acesso.
Enquanto a ocupação espacial se expande, o espaço continua a ser visto como elemento clave de defesa, com atenção à integração de novas tecnologias e à gestão de riscos, sem comprometer a segurança global.
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