- Vídeos deepfake de CNN Portugal e do primeiro-ministro Luís Montenegro promovem uma burla que promete ganhos elevados com um investimento inicial baixo.
- O anúncio, em YouTube, e uma página falsa do ECO associam-se a uma alegada “oportunidade revolucionária” com um programa de trading baseado em IA, alegando lucros de mais de 15 mil euros por mês ou 9 mil euros por semana.
- A verificação conclui que os vídeos e a página são falsificados, utilizando imagens reais de figuras públicas alteradas por IA para parecerem entrevistas e conferências de imprensa.
- A Google/YouTube removeram o anúncio e suspenderam a conta associada; a empresa afirma eliminar anúncios que induzam em erro e reforça a deteção de fraudes com IA.
- O ECO diz que vai apresentar queixa crime contra burlas com uso indevido da sua imagem; a Lusa Verifica confirma que o conteúdo é falso e que o caso envolve ainda uma página do ECO falsificada e ligações para webtraders não reconhecidos.
Um anúncio no YouTube e uma página falsa do ECO usam deepfakes para promover uma burla financeira. A suposta oportunidade promete ganhos superiores a 15 mil euros por mês com um investimento inicial de 250 euros. O vídeo apresenta uma entrevista entre Ana Sofia Cardoso, da CNN Portugal, e António Costa, diretor do jornal ECO.
A gravação propagandeia um suposto programa estatal de trading baseado em IA, denominado Quantum AI, ligado a uma conferência de Luís Montenegro. O objetivo é levar o público a acreditar numa frente governamental que garante rendimentos elevados com pouca intervenção.
A peça publicitária mostra Montenegro a falar de segurança de fundos e sigilo de dados, prometendo 98% de sucesso nas operações. Dizeram tratar-se de uma oportunidade real para transformar as finanças pessoais, com vagas limitadas.
Os vídeos são criados por IA a partir de imagens reais de figuras públicas, mas alterados para parecerem entrevistas sobre o novo programa financeiro. A investigação independentemente identificou as ligações de origem duvidosas.
Sinais da burla
A análise de registos de anúncios mostra que o anunciante está registrado no estrangeiro, com ligações a entidades sem relação com os meios mencionados. A página falsa do ECO redirecionava para plataformas de trading de criptomoedas sem base institucional.
A Lusa Verifica também verificou que o conteúdo do suposto artigo do ECO encaminha para um WebTrader sem relação com o diário. A conferência de imprensa de Montenegro parece ter sido gerada por IA, sem correspondência com eventos reais.
Em resposta, a Google mencionou que o anúncio foi removido e a conta suspensa por violação de políticas. O YouTube não forneceu informações adicionais sobre o anunciante por questões de privacidade.
O ECO adianta que poderá apresentar queixa crime por uso indevido da imagem do jornal. O caso é investigado pela Lusa Verifica, que não obteve respostas de empresas envolvidas no esquema.
Avaliação das verificações: é falso que CNN Portugal e Luís Montenegro promovam a alegada oportunidade. Os vídeos são deepfakes criados para facilitar uma burla financeira associada a uma página do ECO falsa.
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