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Mortes à espera de cirurgia cardíaca: Governo ordena apuramento rigoroso

Ordem dos Médicos exige apuramento rigoroso das mortes na espera por cirurgia cardíaca; Governo manda investigar e discutir impacto em recursos humanos

Director do serviço de cardiologia do Santo António insiste que há margem para a criação de mais um centro de cirurgia cardíaca a Norte
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  • A Ordem dos Médicos enviou um ofício à Direção Executiva do SNS a exigir o apuramento rigoroso e transparente das mortes de doentes à espera de cirurgia cardíaca.
  • O director do serviço de cardiologia do Hospital de Santo António, no Porto, disse à RTP que dez doentes morreram nos últimos três anos; em entrevista ao Público passou a falar em deterioração clínica associada ao atraso.
  • A Secção Norte da Ordem dos Médicos vai reunir-se com directores de serviços que enviaram carta à ministra da Saúde.
  • A Secção Norte alerta para os riscos que a criação de um novo centro cirúrgico pode trazer em termos de recursos humanos.
  • As informações surgem no contexto de críticas à gestão da lista de espera e à necessidade de clarificação por parte das autoridades de saúde.

A Ordem dos Médicos enviou um ofício à Direção Executiva do SNS (DE-SNS) a exigir o apuramento rigoroso e transparente das mortes de doentes que esperaram por cirurgia cardíaca. O pedido surge depois de o director do serviço de cardiologia do Hospital de Santo António, no Porto, ter referido à RTP que dez doentes terão morrido nos últimos três anos.

Segundo a Ordem, o objetivo é clarificar as circunstâncias de cada caso e confirmar as causas associadas à espera por cirurgia. O comunicado sublinha a necessidade de uma análise independente e pública dos registos clínicos.

A Secção Norte da Ordem dos Médicos anunciou que vai reunir-se com directores de serviços que enviaram carta à ministra da Saúde para debaterem o tema e os seus impactos na gestão hospitalar. A reunião está marcada para breve, segundo a delegação regional.

Em declarações ao PÚBLICO, o director do serviço de cardiologia do Hospital de Santo António, André Luz, indicou que as mortes associadas ao atraso devem ser interpretadas como deterioração clínica com o atraso no tratamento. Esta leitura foi anunciada após a divulgação inicial de dez óbitos.

A Secção Norte da Ordem dos Médicos alerta ainda para os riscos que a criação de um novo centro cirúrgico pode trazer, sobretudo no que toca ao recrutamento e à disponibilidade de recurso humano especializado. A posição regional sugere uma análise cuidada de impactos operacionais antes de qualquer decisão.

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