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França devolve à Costa do Marfim tambor-falante roubado no período colonial

França devolve à Costa do Marfim o tambor-falante djidji ayôkwé, símbolo de resistência, em cerimónia em Paris, após aprovação parlamentar

O transporte do tambor-falante requererá uma cerimónia de dessacralização, que está marcada para segunda-feira
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  • França devolveu à Costa do Marfim o tambor-falante sagrado djidji ayôkwé, numa cerimónia em Paris, nesta sexta-feira.
  • O instrumento, confiscado em 1916 em Abidjan pela administração colonial francesa, tem cerca de três metros de comprimento e pesa 430 quilos.
  • O djidji ayôkwé era utilizado para transmitir mensagens rituais e alertar aldeões sobre operações de alistamento militar forçado.
  • A devolução foi aprovada no Parlamento francês em julho e envolve o restauro feito em 2022, com o instrumento integrado nas colecções do Museu do Quai Branly.
  • O transporte final exigirá uma cerimónia de dessacralização e o tambor será integrado nas colecções do Museu das Civilizações da Costa do Marfim; o Senado francês aprovou recentemente uma lei-quadro para facilitar restituições de bens culturais roubados.

França devolveu à Costa do Marfim o tambor-falante djidji ayôkwé, instrumento sagrado do povo ebrié confiscado em Abidjan em 1916. A cerimónia ocorreu nesta sexta-feira, após aprovação unânime no Parlamento francês em julho. A devolução encerra uma “longa saga” iniciada há anos.

O tambor, com três metros de comprimento e 430 quilos, era utilizado para transmitir mensagens rituais e avisos sobre operações de recrutamento forçado pelos colonos franceses. Em 2022, foi restaurado num laboratório em Aubervilliers, sob supervisão do Museu do Quai Branly, que integrou o objeto nas suas coleções em 2006.

A repatriação foi anunciada pelo Presidente francês em 2021, durante a cimeira África-França em Montpellier, com a promessa de restituir o instrumento à Costa do Marfim. Na cerimónia, a ministra marfinense da Cultura e da Francofonia, Françoise Remarck, disse que todo o país está preparado para recebê-lo.

A ministra francesa da Cultura, Rachida Dati, descreveu a devolução como parte de uma parceria exemplar entre as duas nações, destacando o diálogo como motor do processo. Remarck recebeu o instrumento e descreveu o momento como extremamente emocionado para o povo marfinense.

O transporte do tambor continuará com uma cerimónia de dessacralização marcada para segunda-feira, conforme informou o Le Monde. O djidji ayôkwé ficará integrado nas coleções do Museu das Civilizações da Costa do Marfim, já com a receção técnica e simbólica garantida pelo museu.

O Senado francês aprovou, no mês passado, por unanimidade, uma lei-quadro para facilitar restituições de bens culturais roubados a antigas colónias. O objetivo é simplificar processos, já que, devido à inalienabilidade, cada caso exigia legislação específica no Parlamento.

O que acontece a seguir

O passo seguinte envolve a cerimónia de dessacralização e a entrega formal ao museu marfinense. O anúncio da data concreta de devolução física depende de detalhes logísticos e administrativos em França e na Costa do Marfim.

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