- Autoridades francesas autorizaram o abate de cerca de 200 lobos, aumentando o limite para 21% (pouco mais de 200) com perspetiva de subir para 23%.
- Em França, a população de lobos está acima de 1.000 animais, e os ataques a gado têm aumentado, especialmente no Alto Marne, onde se registaram dezenas de mortes de ovelhas no último ano.
- Alegando danos às explorações pecuárias, o Governo francês justifica o abate por pressão das matilhas junto a zonas agrícolas e áreas urbanas, num contexto de debate europeu sobre proteção da espécie.
- A Comissão Europeia aprovou, em maio, a redução do estatuto de proteção do lobo de estritamente protegido para protegido, permitindo caça em alguns países, com medidas para evitar que a espécie se torne ameaçada; cientistas contestam a avaliação.
- Em Portugal, o debate sobre o lobo-ibérico mantém-se ativo; a Plataforma Lobo Ibérico defende uma estratégia de coexistência baseada em ciência e maior apoio à pecuária, apontando falhas no sistema de indemnizações e na identificação de predadores.
França autorizou o abate de cerca de 200 lobos, num esforço para proteger gado e reduzir ataques a rebanhos. A medida, anunciada pela ministra da Agricultura, Annie Genevard, surge numa altura em que o número de lobos no país excede os 1000 animais.
A decisão aumenta o teto de abate para 21% do efetivo estimado, pouco acima de 200 lobos, face ao anterior limite de 19%. Pode ainda ser revisto para 23%, conforme a governante. As autoridades justificam o objetivo com danos crescentes às explorações pecuárias.
O Alto Marne, região a leste, é apontada como principal foco de ataques, com relatos de que 850 ovelhas foram mortas no ano anterior. Agricultores defendem medidas urgentes para travar a expansão de matilhas próximas de áreas agrícolas e urbanas.
Contexto Europeu
Em 2023-2023, a Comissão Europeia abriu a porta à redução do estatuto de proteção do lobo de estritamente protegido para protegido. Em maio, eurodeputados aprovaram a flexibilização, desde que sejam tomadas salvaguardas para evitar o risco de extinção local.
Dados de 2023 indicam cerca de 20 300 lobos na UE, o que justificou a revisão normativa segundo Bruxelas. Cientistas criticam a avaliação, apontando possíveis motivações políticas na mudança a tempo das eleições europeias.
Perspectivas em Portugal
Em Portugal, o lobo-ibérico continua protegido, com o Norte a manter a presença mais significativa. O censo 2019-2021 mostrou redução de presença de 23% e queda de 8% em alcateias face a 2002-2003. A defesa da proteção tem gerado debate público.
A Plataforma Lobo Ibérico defende uma estratégia de conservação baseada em ciência e apoio à pecuária extensiva. Observa ainda falhas no sistema de compensação por prejuízos e na distinção entre causas de mortalidade.
Medidas de apoio e desafios
Desde 2015 existe apoio financeiro para cães de proteção de gado, mas persiste a carência de incentivos para vedações e infraestruturas. A organização destaca programas como Alcateia 2025-2035 e iniciativas de pastoreio como úteis para a coexistência.
O debate público em Portugal tem mostrado tensões entre produtores e grupos de proteção animal, com propostas diversas sobre o futuro da proteção do lobo. A adoção de políticas equilibradas é apontada como essencial para a sustentabilidade da pecuária.
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