- O Governo anunciou um novo concurso para a construção da barragem de Girabolhos, no rio Mondego, integrada na estratégia de gestão de cheias, produção de energia e abastecimento público.
- Orlando Borges, ex-presidente do Instituto da Água, diz que a decisão faz sentido e que as recentes tempestades justificam a medida, defendendo também a reconsideração das barragens de Pinhosão e do Alvito.
- O projeto contempla uma grande albufeira para regular o caudal, possível central reversível ou não, com uma central em caverna e um túnel de quase seis quilómetros, num investimento de cerca de 500 milhões de euros.
- A organização ambiental Zero critica o anúncio, considerando-o inoportuno e manipulador, e afirma que a barragem não elimina o risco de cheias e pode desviar recursos de soluções mais eficazes.
- A decisão é descrita como política; Borges afirma que não houve argumento técnico e recorda o cancelamento do projeto em 2016 durante o primeiro governo de António Costa.
O Governo anunciou a abertura de um novo concurso para a construção da barragem de Girabolhos, no rio Mondego. A decisão divide opiniões: para alguns, é um passo estratégico, para outros, um movimento político em época de cheias. O objetivo é regular caudais, produzir energia e reforçar a segurança hídrica.
Orlando Borges, ex-presidente do Instituto da Água, defende que o relançamento faz sentido e pode reduzir riscos de cheias na região de Coimbra. Reitera que o projeto integra um conjunto de barragens de elevada importância nacional, com contributos variados para o sistema hídrico.
Borges sustenta que a barragem pode aumentar a resiliente do Mondego, mas admite que nenhuma infraestrutura sozinha resolve o problema das cheias. Aponta ainda para a necessidade de considerar outros projetos, como as barragens de Pinhosão e de Alvito, bem como o reforço de albufeiras já existentes.
Contexto técnico e estratégico
Um parecer técnico de 2010 situava Girabolhos a pouco menos de 1 km da freguesia de Seia, com uma albufeira volumosa para regular o caudal entre Seia e Nelas. A infraestrutura integra a estratégia Água que Une e visa múltiplos objetivos, entre eles produção energética, mitigação de cheias e abastecimento público.
O projeto ponderava cotas entre 290 e 310 metros, com possibilidade de central reversível, túnel de perto de seis quilómetros e central situada numa cavidade subterrânea para reduzir impacto visual. A solução pretendia também optimizar o aproveitamento hidroelectrico do território.
A decisão de avançar com Girabolhos surgiu no contexto de políticas de gestão hídrica, após a suspensão do empreendimento em 2016, quando a Endesa, acionista envolvida, pediu garantias de estabilidade contratual. O novo processo mantém o foco na segurança do Mondego e na diversificação da matriz energética.
Repercussões e posições
A Zero, organização ambientalista, descreveu o anúncio como inoportuno e manipulador, argumentando que a barragem não elimina o risco de cheias e pode desviar recursos de soluções mais eficazes. A posição contrária contrasta com o ponto de vista de Borges, que vê valor estratégico na infraestrutura.
O Bloco de Esquerda de Coimbra atribuiu a decisão à Endesa, em comunicado divulgado recentemente. O Partido Socialista questionou o Governo sobre se a desistência partiu da empresa. As informações são objeto de análise parlamentar para esclarecimento de responsabilidades.
A proposta envolve ainda outros projetos de relevância regional, como as barragens de Pinhosão e do Alvito, que continuam a ser consideradas dentro de uma caixa de ferramentas para o reforço da segurança hídrica.
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