- Em 2025 um estudo influente sobre o glifosato foi retratado por suspeita de conflito de interesses, 25 anos após a sua publicação.
- Em 2026 a Bayer propôs um acordo de 6,118 milhões de euros para indemnizar afetados pelo glifosato.
- Portugal surge como campeão de concentração tóxica de glifosato em cursos de água doce e, em 2017, proibiu o uso em espaços públicos.
- Em 2015 a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro classificou o glifosato como provavelmente carcinogénico, gerando debates entre reguladores e processos judiciais.
- O texto descreve a “junk science” como uso de estudos de baixa qualidade para manipular a percepção pública, destacando a necessidade de maior transparência e replicação de dados.
O debate em torno do glifosato tornou-se um terreno onde a ciência pode ser utilizada para gerar confusão, em vez de esclarecer. Em 2025, um estudo influente que afirmava ausência de riscos graves foi retratado após suspeitas de conflito de interesses.
No início de 2026, a Bayer apresentou uma proposta de acordo de 6,118 mil milhões de euros para indemnizar afetados pelo glifosato. Portugal está destacado pela alta concentração do químico em cursos de água doces.
Portugal proibiu o uso do glifosato em espaços públicos já em 2017, incluindo jardins infantis, escolas e hospitais. Em termos regulatórios, manteve-se o debate sobre o risco carcinogénico classificado pela IARC em 2015.
A partir daí, surgiram divergências entre agências reguladoras europeias e norte-americanas, que defendiam que o uso aprovado não justificava a classificação de carcinogenicidade. Por outro lado, processos judiciais e campanhas mediáticas multiplicaram-se.
A narrativa pública dividiu-se entre estudos que indicavam risco aumentado e análises que refutavam esses resultados. Em paralelo, estudos revisados e decisões regulatórias passaram a ser citados em tribunais antes de consolidarem a literatura científica.
A chamada junk science aparece associada a estudos de baixa qualidade, dados exploratórios apresentados como confirmatórios e conflitos de interesse, muitas vezes de índole industrial ou ideológica.
Entre o dinheiro que circula estão indemnizações, fusões e estratégias legais. A ciência transforma-se em argumento forense, com decisão baseada na lógica probatória do tribunal, em vez da evidência cumulativa da literatura.
O caso do glifosato revela como a produção de incerteza pode ter igual peso à produção de prova. O público fica entre narrativas simples: seguro versus venenoso, sem uma avaliação clara do método científico.
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