- A Associação de Proteção Civil (APROSOC) critica a prioridade dada à distribuição de terminais Starlink às freguesias, defendendo investimento em rádios da Rede Estratégica de Proteção Civil (REPC) para melhorar a coordenação local.
- A APROSOC diz que o governo não replica o exemplo de Lisboa, que tem rede municipal de radiocomunicações que liga freguesias ao serviço municipal de proteção civil.
- Acrescenta que, para comunicar entre freguesias, muitas vezes basta comunicação direta a dezenas de quilómetros, sem recorrer a operadores privados ou ao espaço.
- A associação critica que o investimento em Starlink é visto como ruinoso e associa-o a questões do SIRESP e a interesses instalados que empurrariam os territórios para fora dessa solução.
- O Governo prevê dotar todas as freguesias com gerador, telefone SIRESP e ligações satélite com Starlink, num programa de investimento célere para enfrentar catástrofes.
A Associação de Proteção Civil (APROSOC) criticou, neste sábado, a prioridade dada à distribuição de terminais Starlink às freguesias. O grupo defende que o investimento devia privilegiar rádios da Rede Estratégica de Proteção Civil (REPC) para reforçar a coordenação local em emergências.
A APROSOC escreveu aos partidos com assento parlamentar e disse ver com bons olhos o anúncio do primeiro-ministro Luís Montenegro sobre Starlink. Contudo, afirma que a prioridade deveria estar nas juntas de freguesia e nos presidentes de junta, com terminais rádio da REPC para comunicação entre juntas e com o serviço municipal de proteção civil.
A associação sublinha que o sistema REPC permite comunicação entre freguesias, com o serviço municipal de proteção civil e com os comandos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Isto, diz, facilita a coordenação durante catástrofes sem depender de operadores privados.
Ponto de vista da APROSOC
João Paulo Saraiva, presidente da APROSOC, afirma que a capital já usa uma rede municipal de radiocomunicações que liga freguesias ao serviço municipal. Alega que, sem essa rede, seria necessário recorrer ao espaço para comunicação entre freguesias distantes de dezenas de quilómetros.
A associação critica a ideia de que a comunicação entre freguesias dependa de soluções com tecnologia espacial. Constrói ainda que o modelo atual da REPC já foi aplicado em muitos municípios, mas acabou descontinuado por pressões associadas ao SIRESP.
O Governo confirmou planos para dotar todas as freguesias com gerador, telefone SIRESP e ligações satélite com dados Starlink, num programa de investimento célere para fazer face a catástrofes. A medida foi anunciada num documento do Conselho de Ministros divulgado na sexta-feira.
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