- O Governo prevê entregar um telefone satélite e ligação de dados Starlink a cada uma das 3258 juntas de freguesia, como medida de resiliência em emergências, integrada no programa PTRR.
- Além do telefone, será fornecido um dispositivo do SIRESP, com foco na fiabilidade das comunicações em situações de crise, incluindo uma avaliação futura do SIRESP.
- As ações visam reduzir o isolamento de comunidades durante tempestades, reforçando a resiliência das comunicações móveis e incluindo regulação de roaming nacional temporário e partilha de infraestrutura entre operadoras.
- O PTRR aborda também a revisão de normas técnicas, planos de continuidade, enterramento de infraestruturas, corredores de redundância para fibra óptica e soluções de armazenamento/alimentação autónoma em nós críticos.
- Na vertente energética, está prevista a realização de um teste de stress nacional, periódico e obrigatório ao sistema energético, com simulações de cenários extremos para orientar planeamento e mitigação de riscos.
O Governo anunciou, no âmbito do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), a atribuição de um telefone satélite com ligação de dados via Starlink a cada uma das 3258 juntas de freguesia. A medida, apresentada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, visa prevenir o isolamento de comunidades em situações de emergência.
Além dos telemóveis satélite, será colocado um telefone do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP). O objetivo é assegurar conectividade estável quando as redes físicas enfrentarem dificuldades. O PTRR aponta como contexto recente o desgaste de comunicações em várias regiões do país, com foco na resiliência móvel.
Contexto e objetivos
O documento do PTRR refere ainda uma solução para o futuro do SIRESP, com estudo independente concluído em fevereiro de 2026. A ideia é fortalecer as comunicações de emergência e reduzir lacunas de cobertura em situações críticas, como ocorreu com a região afetada por tempestades.
A tempestade Kristín provocou perturbações em diversas comunidades. Registaram-se lacunas de telecomunicações em alguns concelhos, incluindo Cepos, em Arganil, onde houve relatos de ausência de serviço. O Executivo pretende reforçar a resiliência das comunicações móveis com medidas integradas.
Medidas de regulação e infra-estruturas
Entre as linhas de ação, está a regulação do roaming nacional temporário e a partilha de infra-estruturas entre operadoras. Também há prevista a revisão de normas técnicas e de planos de continuidade para as operadoras, bem como soluções de enterramento progressivo de infraestruturas.
O PTRR prevê a definição de corredores de redundância geográfica para os backbones de fibra ótica e a mitigação da dependência energética das redes com soluções de armazenamento ou alimentação autónoma em nós críticos. A medida contempla ainda reforçar a autonomia de geração de energia em pontos estratégicos.
Resiliência energética
Na vertente energética, o Governo propõe um teste de stress nacional, periódico e obrigatório ao sistema energético. O objetivo é simular cenários extremos climáticos, cibernéticos e geopolíticos para orientar o planeamento da rede e planos de mitigação de risco.
Segundo informações da Lusa, ainda há milhares de clientes sem energia em algumas zonas, com destaque para cerca de 4500 clientes da E-Redes. A estratégia enquadra a criação de uma rede crítica de reserva de energia para emergências e o posicionamento estratégico de geradores para resposta rápida.
Futuras linhas de ação
Pretende-se também reforçar a capacidade descentralizada de geradores e de autoprodução com armazenamento, priorizando infraestruturas críticas como saúde, abastecimento de água, antenas de comunicação móvel e rádios nacionais em cada junta de freguesia. O PTRR aponta ainda para a adaptação do sistema elétrico nacional às alterações climáticas e prevê a integração de inteligência artificial no planeamento das redes.
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