- Descoberta no deserto do Sara, no Níger, de fósseis de uma nova espécie de espinossauro, denominada Spinosaurus mirabilis, que viveu há cerca de 95 milhões de anos e caçava peixe.
- O animal tinha cerca de 12 metros de comprimento e pesava entre cinco a sete toneladas, com uma crista óssea em forma de lâmina e uma vela dorsal proeminente.
- Era piscívoro, com mandíbulas e dentes adaptados para capturar peixes escorregadios e um focinho alongado semelhante ao de um crocodilo.
- A carnuda diferença entre mirabilis e o já conhecido Spinosaurus aegyptiacus inclui crista mais alta, focinho mais longo e membros posteriores maiores; a crista pode ter servido para exibição.
- Os fósseis foram encontrados na localidade de Jenguebi, no Norte do Níger, por uma equipa liderada por Paul Sereno e Daniel Vidal, em expedição de 2022, com a descrição publicada na revista Science.
Dois fósseis de uma nova espécie de espinossauro foram encontrados no coração do deserto do Sara, no Níger. A descoberta acontece em Jenguebi, numa zona remota, com cerca de 95 milhões de anos. O dinossauro era piscívoro e destacava-se pela crista em forma de lâmina e por mandíbulas ajustadas para capturar peixes.
O animal media cerca de 12 metros de comprimento e pesava entre cinco e sete toneladas. Possuía uma crista craniana de cerca de 50 cm, uma vela dorsal pronunciada e focinho alongado. As características sugerem adaptações para pescar em águas rasas, em rios interiores.
Os investigadores atribuem o nome de espinossauro mirabilis ao novo género, sendo a espécie designada mirabilis, de “espantoso”. O achado distingue-se pelo conjunto de traços, incluindo dentes longos, interdigitados, ideais para capturar peixes escorregadios.
A equipa descreve o comportamento piscívoro como uma das mais extremas adaptações entre dinossauros. A subtipagem indica que o Spinosaurus mirabilis não era totalmente aquático, ao contrário do que se pensava para outros exemplares.
Estrutura e contexto paleontológico
A crista nasal e as adaptações cranianas sugerem exibição na vida social, para atrair parceiros ou marcar território. A posição das narinas permitia submersões curtas para caçar sob a água, mantendo a respiração estável.
Fósseis de Spinosaurus aegyptiacus já vinham de Egipto e Marrocos, mas estes de Jenguebi são do interior africano. A localização indica um predador de águas rasas, desmistificando a ideia de nadadores de águas abertas.
A expedição de 2022 partiu de Agadez, com um longo trajeto em todo-o-terreno através do deserto. A equipa encontrou crânios de três indivíduos e outros ossos, em meio a um arquipélago de afloramentos rochosos entre dunas.
Os paleontólogos descrevem Jenguebi como o “Arquipélago dos Espinossauros”. A área destaca-se pela abundância de fósseis em rochas areníticas finas, revelando várias espécies de vertebrados de há 95 milhões de anos.
Este achado reforça a visão de que os espinossauros eram predadores piscívoros com comportamentos diversificados. Os cientistas consideram o Spinosaurus mirabilis um marco que ajuda a entender a evolução dos dinossauros na região africana.
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