- As tempestades recentes provocaram erosão costeira acentuada no Algarve, com recuo da linha de costa e quedas de arribas, especialmente entre Quarteira e Vale do Lobo e na zona de Forte Novo, em Loulé.
- As praias perderam areia e houve movimentos de massa; a recuperação natural é esperada nos próximos meses, mas em alguns troços o recuo pode ser irreversível sem intervenção.
- As soluções sugeridas passam pela reposição de areias, alimentação artificial de praias e recuperação de sistemas dunares, além de uma revisão do ordenamento do território nas zonas mais vulneráveis.
- Na costa rochosa entre Olhos de Água (Albufeira) e Lagos, é necessária maior monitorização e intervenção em zonas com risco iminente, potencialmente pela Agência Portuguesa do Ambiente.
- Defende-se uma abordagem integrada, com monitorização permanente, cooperação entre entidades públicas, comunidade científica e populações locais, e planos de relocalização para reduzir custos a longo prazo.
O Algarve enfrenta uma erosão costeira acentuada causada por intervenções de mau tempo. O alerta parte de Óscar Ferreira, investigador da Universidade do Algarve, que aponta perdas significativas de sedimentos, recuo da linha de costa e quedas de arribas em várias zonas do litoral algarvio. A manchete das tempestades recentes sublinha impactos duradouros sem intervenção adequada.
Segundo o especialista, os episódios de agitação marítima originaram perdas de areia em diversas praias, expondo arribas à ação direta das ondas. O troço entre Quarteira e Vale do Lobo, incluindo Forte Novo, registou recuos relevantes da costa e movimentos de massa consideráveis, segundo a avaliação do Centro de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Algarve.
O conjunto de consequências é visto como episódico, ligado à sucessão de tempestades, mas com efeitos que poderão perdurar onde o recuo é contínuo. Ainda assim, as praias devem, na maioria, recuperar naturalmente nos próximos meses, sobretudo a partir de mecanismos de retorno de sedimentos.
Para as zonas arenosas, a principal aposta de mitigação passa pela reposição de areias com vista a manter capacidade balnear e reduzir riscos para pessoas e bens. Em contrapartida, parte da costa pode exigir intervenção artificial para que haja retorno de sedimentos.
Ações e monitorização
Na costa rochosa, entre Olhos de Água (Albufeira) e Lagos, o investigador defende maior monitorização e intervenções onde exista risco iminente de arribas. A Agência Portuguesa do Ambiente deverá atuar nesses locais, assegurando cautelas adicionais junto a áreas com maior vulnerabilidade.
A recolocação de sedimentos tem vida útil variável consoante o local, passando por novas intervenções quando necessário. Ferreira sublinha que as soluções devem ser integradas, combinando alimentação artificial de praias, recuperação de sistemas dunares e revisão do ordenamento do território em zonas de maior vulnerabilidade.
O cientista destaca a importância de monitorização permanente e de dados atualizados para sustentar decisões políticas e técnicas. Sem evidência consolidada, o risco é investir em medidas de eficácia limitada a curto prazo.
A cooperação entre entidades públicas, comunidade científica e populações locais é apresentada como essencial. As alterações climáticas tendem a intensificar fenómenos extremos, exigindo respostas mais estruturadas e a longo prazo, incluindo planos de reordenamento territorial que evitem ocupação de áreas de risco.
Entre na conversa da comunidade