- A APAV recebeu 576 denúncias de discriminação e incitamento ao ódio e à violência em 2025, quase o dobro de 2024 (307).
- Ao todo, a APAV apoiou mais de 18 mil vítimas em 2025, a maioria devido a violência doméstica.
- Os discursos de ódio mais frequentes são dirigidos a minorias, movimentos feministas e LGBT, com parte do aumento associado ao contexto online.
- A entidade destaca que o crescimento ocorre de forma estrutural e não apenas por maior sinalização de queixas.
- As três tipologias de ataque mencionadas mantêm-se em ascensão global, sem uma que se tenha destacado em concreto.
A APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) divulgou o seu relatório anual de 2025, revelando 576 denúncias de vítimas de discriminação, ódio e incitamento à violência. Este dado compara com 307 no ano anterior, evidenciando um aumento considerável. No total, a APAV apoiou mais de 18 mil vítimas em 2025, sendo a maioria relacionada com violência doméstica.
Segundo a APAV, o crescimento é especialmente significativo no terreno online, com discursos de ódio a ganhar força. A assessora técnica da direção, Carla Ferreira, sublinha que o fenómeno tem uma leitura dupla: pode refletir uma sociedade mais atenta aos seus direitos, mas também um aumento real de criminalidade em determinadas dimensões sociais.
Entre as tipologias de ataque, Ferreira aponta três frentes que crescem de forma paralela: ataques a minorias, a movimentos feministas e às pessoas LGBT. A especialista refere ainda que não há uma prevalência dominante entre estas dimensões nos anos mais recentes, todas registam aumento global.
Contexto e leitura dos dados
O relatório, divulgado a 19 de fevereiro, detalha o peso relativo das denúncias recebidas pela APAV, distinguindo-as de outras tipologias de apoio. O aumento verificado reforça a necessidade de monitorização e de respostas eficazes por parte das entidades de apoio às vítimas, bem como de políticas públicas que incidam sobre a prevenção do ódio.
Sobre a APAV e o apoio às vítimas
A APAV mantém o foco no atendimento a vítimas de violência e discriminação, disponibilizando apoio jurídico, psicológico e social. O balanço de 2025 evidencia uma tendência de crescimento nas queixas por ódio, exigindo atuação integrada entre entidades públicas, privadas e da sociedade civil.
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