- A Liga dos Bombeiros Portugueses denunciou ao parlamento que o INEM está há quatro meses sem pagar às associações pelo socorro pré-hospitalar, com valores em atraso desde novembro.
- António Nunes disse que chegou a colocar em cima da mesa a possibilidade de o INEM contratar diretamente os 436 corpos de bombeiros, por não assegurar sustentabilidade com os atrasos atuais.
- O dirigente revelou que há uma dívida de cerca de dez milhões de euros por mês que permanece por pagar, afetando salários, combustível, oxigénio e material clínico.
- As associações têm, por vezes, de subsidiar o INEM, financiando serviços com encargos elevados, já sem recebimentos referentes a novembro, dezembro, janeiro e metade de fevereiro.
- O foco político inclui falhas no CODU e na utilização da rede SIRESP, com uma CPI de 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras do INEM desde 2019.
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) denunciou no Parlamento que o INEM está há quatro meses sem pagar às associações de bombeiros pelo socorro pré-hospitalar. António Nunes afirmou que, até 18 de Fevereiro, existem valores em atraso desde Novembro e que o cenário pode comprometer o desenvolvimento sustentável do sistema.
Nunes explicou que as associações acumulam encargos com salários, combustível, oxigénio e material clínico, suportados pelos bombeiros voluntários com contratos de trabalho. Em causa está a dívida que a LBP estima em cerca de dez milhões de euros por mês, gerando pressão financeira sobre as IPSS responsáveis pelos serviços de emergência.
O dirigente revelou ainda que a hipótese de o INEM contratar diretamente os 436 corpos de bombeiros chegou a estar em cima da mesa, numa tentativa de garantir o funcionamento do socorro pré-hospitalar. A LBP sustenta que a continuidade dos atrasos pode comprometer a qualidade do serviço.
Questões estruturais e operacionais
António Nunes apontou falhas nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e problemas na utilização da rede SIRESP. Diz que estas questões são conhecidas pelos órgãos políticos e têm sido discutidas em audições parlamentares ao longo dos anos.
O responsável criticou aAtual gestão do INEM por manter métodos opacos e uma perceção de pouca sensibilidade para resolver problemas considerados centrais para o socorro. Reforçou a necessidade de maior autonomia do CODU e de um eventual conselho de utilizadores com participação de bombeiros e Cruz Vermelha.
O líder da LBP mencionou ainda atrasos na orientação hospitalar, com situações relatadas em que ambulâncias aguardam por indicações por longos períodos. Alega que o paradigma mudou e que há casos em que se encaminha para unidades não próximas, o que aumenta a demora na resposta.
A CPI criada pela Assembleia da República, com 24 deputados, para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relacionadas com o INEM, continua a investigar a atuação do instituto desde 2019, incluindo o período da greve de finais de 2024.
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