- A chikungunya pode já ser transmitida por mosquitos em grande parte da Europa, incluindo Portugal, conforme estudo científico.
- O aumento das temperaturas e a expansão do mosquito-tigre asiático criaram condições para a propagação do vírus em 29 países europeus.
- A temperatura mínima para transmissão passa a ser entre 13 °C e 14 °C, cerca de 2,5 °C abaixo das estimativas anteriores, aumentando o período de risco.
- As infeções podem ocorrer durante mais de seis meses por ano em países como Espanha, Portugal, Itália e Grécia, e entre três a cinco meses em França, Alemanha e Suíça.
- Em 2025, surgiram surtos com centenas de infetados na França e na Itália; especialistas defendem medidas de vigilância, eliminação de águas paradas e uso de proteção para limitar a propagação.
A chikungunya, doença tropical extremamente dolorosa, pode ser transmitida por mosquitos na maior parte da Europa, incluindo Portugal, segundo estudo científico. A subida das temperaturas globais e a expansão do mosquito-tigre asiático criaram condições de transmissão em 29 países europeus.
A doença provoca dores articulares intensas e prolongadas, podendo ser incapacitante; em crianças e idosos, há risco de evolução grave. Casos foram registados em mais de dez países europeus nos últimos anos, com surtos em França e Itália em 2025.
O estudo, publicado no Journal of the Royal Society Interface, avalia o impacto da temperatura no período de incubação do vírus no Aedes albopictus, um mosquito invasor presente na Europa.
A temperatura mínima para transmissão situou-se entre 13ºC e 14ºC, cerca de 2,5ºC abaixo das estimativas anteriores. Os investigadores descrevem a diferença como surpreendente, ampliando áreas de risco.
Expansão do risco na Europa
Com base nos novos dados, infeções podem ocorrer por mais de seis meses anuais em Espanha, Portugal, Itália e Grécia, e 3 a 5 meses em Bélgica, França, Alemanha e Suíça. No sudeste de Inglaterra, a transmissão pode ocorrer por dois meses.
A Europa aquece a ritmo cerca de duas vezes acima da média global, acelerando a expansão do território de risco. O vírus instala-se no trânsito intestinal do mosquito, passando à saliva após incubação, para transmissão à próxima pessoa.
Aeros de inverno frios já não bastam como barreira natural em várias regiões. O mosquito-tigre é ativo durante todo o ano no sul da Europa, potenciando surtos conforme o clima aquece.
Casos e medidas de controlo
Entre janeiro e junho de 2025 foram confirmados 73 casos em viajantes infetados no estrangeiro, quase o triplo face ao mesmo período de 2024. A transmissão depende do tempo de vida do mosquito versus o período de incubação.
A chikungunya pode causar artrite ou dores duradouras, com até 40% dos infetados a sofrerem sequelas até cinco anos depois. Vacinas existem, mas são dispendiosas; a prevenção de picadas permanece a melhor defesa.
Especialistas defendem medidas como eliminar águas paradas, usar roupa comprida, aplicar repelente e reforçar vigilância epidemiológica. Identificar zonas e meses de maior risco permite ações mais eficazes.
Perante alterações climáticas, os investigadores alertam que a expansão para latitudes mais a norte é uma questão de tempo. A presença de doenças tropicais na Europa deixa de ser cenário hipotético.
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