- A Climate Central analisou temperaturas entre 2021 e 2025 e concluiu que o aquecimento provocado pela atividade humana ultrapassa o limiar de 30 °C nas principais regiões produtoras de café, provocando stress térmico nas plantas.
- Os cinco maiores produtores — Brasil, Colômbia, Etiópia, Indonésia e Vietname — registaram, em conjunto, mais cinquenta e sete dias por ano de calor prejudicial.
- Em conjunto, estes países fornecem cerca de 75 por cento do café mundial, o que eleva a oferta global e pode puxar os preços para cima.
- Os pequenos agricultores respondem por about oitenta por cento dos produtores, mas em 2021 receberam apenas 0,36 por cento do financiamento necessário para se adaptarem às alterações climáticas.
- O custo médio de adaptação por hectare é de 2,19 dólares por dia, valor considerado baixo face ao preço de uma chávena de café em muitos países.
O aquecimento global provocado pelo uso de combustíveis fósseis coloca em risco as colheitas de café e eleva os custos para os consumidores. Agricultores em dificuldades pedem aos governos ações rápidas para proteger a produção frente a períodos cada vez mais frequentes de calor extremo. A análise de Climate Central aponta que as alterações climáticas já empurram as temperaturas para além de 30 ºC nas principais regiões produtoras.
Segundo o estudo, os cinco maiores produtores — Brasil, Colômbia, Etiópia, Indonésia e Vietname — registaram em conjunto mais 57 dias por ano de calor prejudicial. Estes países respondem por 75% da oferta mundial de café. O calor excessivo causa stress térmico nas plantas, reduz a produção e pode degradar a qualidade dos grãos.
O impacto financia a cadeia é sentido principalmente pelos pequenos agricultores, que correspondem a cerca de 80% dos produtores. Em 2021, estes pequenos agricultores receberam apenas 0,36% do financiamento destinado à adaptação climática. A União Europeia depende muito do café vindo do Brasil e do Vietname, ambos fortemente afetados pelo aquecimento.
Alterações na produção e custos
O aquecimento acima de 30 ºC compromete a produção, aumenta a vulnerabilidade a doenças e eleva os custos de cultivo. A oferta global fica mais restrita, o que pressiona os preços. A maioria do café importado pela UE provém de Brasil (34%) e Vietname (24%).
Apoio público e investimento são apontados como necessários para enfrentar estas dificuldades. Organizações de produtores enfatizam a importância de programas de adaptação, financiação acessível e melhoria de práticas agrícolas, especialmente entre as cooperativas locais.
Vidas no terreno
Na Etiópia, agricultores alertam para menor rendimento de cafés arábica sem sombra suficiente. Cooperativas locais são parte da resposta, com iniciativas de eficiência energética e uso de fogões que reduzem a desmata. A ideia é reforçar a resiliência das áreas cafeeiras e manter a produção sustentável.
No Colombia, produtores destacam que o calor, a seca e chuvas intensas exigem financiamento para diversificação e melhoria de práticas. A aposta na agrofloresta surge como forma de reduzir a dependência de insumos químicos e de aumentar a resistência climática das plantações.
Na Índia, em áreas como as Planícies Ocidentais, explora-se o cultivo sob sombra com biodiversidade. Produtores relatam menor disponibilidade de humidade no solo, o que aumenta o stress das plantas e pode levar a floradas irregulares e queda de qualidade na colheita.
Resposta e caminhos
Um produtor de Karnataka afirma que o equilíbrio entre sombra, humidade e recuperação é crucial para o café prosperar. A gestão da sombra, solos saudáveis e maior resiliência hídrica aparecem como caminhos para enfrentar o cenário atual.
A organização de produtores da Etiópia destaca a necessidade de ações governamentais para apoiar pequenas explorações. Em conjunto, as medidas devem incluir financiamento acessível, assistência técnica e investimentos em práticas que reduzam a necessidade de recursos como a lenha, protegendo as florestas que servem de abrigo ao café.
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