- Um ano depois da aprovação da legislação que permite adoção por famílias de acolhimento, ainda não há nenhum processo de adopção concluído.
- Há mais crianças a viver em famílias de acolhimento e menos institucionalizadas: crianças em casas particulares passaram de 356 para 462; famílias de acolhimento passaram de 388 para 520; ainda assim 5.987 crianças estavam em instituições.
- A secretária de Estado da Ação Social e Inclusão, Clara Marques Mendes, atribui os resultados a uma campanha nacional de atracção de acolhimento, lembrando a legislação que acabou com a proibição de adopção por famílias de acolhimento.
- A audição parlamentar serviu para esclarecer receios sobre as CPCJs (comissões de proteção de crianças e jovens) no início do ano lectivo; a secretária garantiu que nenhuma CPCJ deixou de funcionar e que nenhum processo ficou parado.
- Em resposta a perguntas sobre professores, a secretária disse que não houve saída massiva de docentes; faltam apenas seis professores, mas isso deve a termos de mandato que terminaram em janeiro.
Ainda sem uma adoção concluída por famílias de acolhimento, passados quase doze meses desde a publicação da lei que permite esse caminho, o Governo confirmou que nenhum processo está finalizado. A revelação foi feita pela secretária de Estado da Ação Social e Inclusão, Clara Marques Mendes, durante uma audição parlamentar pedida pelo PS.
A responsável mostrou dados sobre o aumento de crianças acolhidas em famílias privadas e a diminuição da institucionalização. Entre o final de 2024 e o final de 2025, as crianças a viver em casas particulares cresceram de 356 para 462. Nesse período, passaram de 388 para 520 as famílias de acolhimento ativas, enquanto o total de crianças em instituições ficou em 5987.
Ainda segundo a secretária de Estado, a mudança não decorre apenas da legislação: a Administração tem associado o aumento do acolhimento a uma campanha nacional dirigida a atrair cidadãos para este modelo. O PS lembrou, no entanto, a responsabilidade do partido pela legislação que suspendeu a proibição de adoção por parte de famílias de acolhimento.
Além disso, foi clarificado que não houve conclusão de processos de adoção desde a aprovação da lei publicada no Diário da República no final de março de 2025. A dirigente reiterou que nenhum processo foi concluído nesse seguimento e que a criação de mais famílias de acolhimento não dependeu de adoções já finalizadas.
Esclarecimentos sobre as CPCJs e docentes
Durante a audição, a deputada do Chega questionou impactos na procuradoria de proteção de crianças e jovens, ante relatos de saída de docentes nas comissões. Clara Marques Mendes assegurou que a maioria dos professores permaneceu nas funções, e que o alerta sobre CPCJs sem docentes não corresponde à realidade. A secretária de Estado afirmou ainda que apenas seis docentes estavam em falta, uma variação associada à terminação de mandatos em janeiro.
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