- O ministro da Defesa da Finlândia, Antti Häkkänen, afirma que a Rússia está a reforçar meios estratégicos nucleares no Ártico e a construir novas instalações ao longo da fronteira com a Finlândia.
- A área da Península de Kola alberga a maior parte do arsenal estratégico russo, incluindo submarinos e meios aéreos de longo alcance.
- Häkkänen destacou a renovação do planeamento de defesa da NATO no Extremo Norte e elogiou a vigilância reforçada “Sentinela do Ártico”, sublinhando a importância da região para a defesa europeia.
- A Finlândia, como outros 18 Estados-membros da União Europeia, pediu financiamento ao abrigo do programa de defesa por empréstimo, no valor de mil milhões de euros; o obrigatório foi aprovado pela Comissão e aguarda aprovação final.
- O ministro disse que, a curto prazo, é fundamental manter os EUA como base da dissuasão europeia, mas que, a longo prazo, os europeus devem desenvolver capacidades próprias e fortes, incluindo cooperação nuclear com França e Reino Unido.
O ministro da Defesa da Finlândia informou à Euronews que a Rússia está a reforçar recursos estratégicos no Ártico e a construir novas instalações ao longo da fronteira com a Finlândia. A entrevista ocorreu à margem da Conferência de Segurança de Munique.
Häkkänen afirmou que a área da Península de Kola concentra a maior parte do arsenal nuclear estratégico russo, incluindo submarinos e bombardeiros de longo alcance. O ministro destacou que o aumento de capacidades no Ártico exige vigilância reforçada.
A Finlândia, que aderiu à NATO após a invasão da Ucrânia, acompanha de perto a renovação da defesa no Extremo Norte. O ministro referiu o lançamento da iniciativa de vigilância Sentinela do Ártico e ressaltou que a segurança regional devia ter sido prioridade há anos.
Investimento e reforma
A Finlândia participa de um programa de defesa da UE envolvendo financiamento de empréstimo, aprovado pela Comissão Europeia. O montante total é de 150 mil milhões de euros, com uma parte significativa destinado às forças terrestres para adquirir veículos blindados e drones.
Häkkänen indicou que, no ano passado, Helsínquia iniciou um amplo plano de reforma da defesa terrestre, até 2035, com foco em capacidade de ataque, modernização de infraestruturas e desenvolvimento de sistemas não tripulados.
Relação EUA-UE e dissuasão nuclear
O ministro sublinhou que a União Europeia está a aprender com a guerra na Ucrânia e a reforçar a defesa própria, mantendo os EUA como pilar essencial a curto prazo. Através do artigo 5º, os EUA continuam vistos como garantia da dissuasão na região.
Quanto à dissuasão nuclear europeia, Häkkänen disse que é bem-vinda, mas não pode substituir a NATO. A França e o Reino Unido mostraram interesse em ampliar capacidades nucleares na Europa, mas o ministro afastou essa ideia como solução única.
Contexto regional
A região ártica é apresentada pelo ministro como fundamental para a estabilidade europeia. A Finlândia, que mantinha posições de neutralidade antes da adesão à NATO, reforça a cooperação com aliados para proteger a região fronteiriça, sem descurar a compreensão dos riscos estratégicos.
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