- Mesmo após o fim do estado de calamidade, a aldeia do Casal dos Bernardos, em Ourém, continua sem telhas, luz e tranquilidade após a depressão Kristin.
- Manuel Lopes, de 81 anos, perdeu cerca de 150 telhas na passagem da depressão e, com o corpo fragilizado, tenta arranjar o telhado com ajuda de amigos e sem mão de obra estável.
- Emília Marques, de 80 anos, viu o telhado ceder durante a noite e permanece sem eletricidade estável; a casa sofre infiltrações e depende de ligações informais para manter a arca ligada.
- O filho de Emília caiu ao tentar remover a chaminé danificada, ficando com dois golpes na cabeça, enquanto a cozinha acumula água e esvazia-se o espaço com baldes e alguidares.
- A comunidade continua sem respostas, com relatos de falta de pedreiros e dificuldades em obter apoio técnico, agravadas pela chuva e pelo frio intenso.
Numa aldeia de Ourém, os efeitos da depressão Kristin ainda são visíveis. O estado de calamidade terminou, mas a normalidade tarda a regressar no Casal dos Bernardos, onde telhados, energia e conforto continuam ausentes para muitos moradores.
Manuel Lopes, 81 anos, ainda trabalha a vedação junto à casa, apesar da chuva miúda. Foi pedreiro de profissão e queria subir ao telhado, mas não consegue. Perdeu 150 telhas com o vento, que também danificou as estruturas da casa.
O reformado recusou abandonar o trabalho: “andou a arranjar o telhado com telhas improvisadas”. Procura empreiteiros sem sucesso, descrevendo a situação como extremamente difícil, após três AVCs e um enfarte.
Emília Marques, de 80 anos, descreve estrondos de traves e o telhado a ceder numa madrugada. A casa ainda está sem condições ideais e a falta de luz é o principal problema que a impede de ter conforto mínimo.
A família manteve-se alerta aos riscos: o filho que tentava retirar a chaminé danificada sofreu uma queda, ficando com dois golpes na cabeça. A cozinha continua com infiltrações, utilizando baldes para recolher a água.
Mesmo com o remendo, a falta de energia persiste. Emília depende de uma ligação elétrica para manter a arca da filha ligada, o que permite apenas funcionamento básico, já que o sistema é instável.
O frio intensificou-se no fim de semana, levando Emília a recorrer a métodos simples para suportar as noites. O aquecedor elétrico acende o quadro, obrigando-a a reduzir atividades para evitar novas quedas de energia.
Ainda sem luz, a moradora aguarda o fim da chuva e a chegada de soluções que permitam resguardar a casa. Conta com o apoio de um gato que não a abandona, mesmo com o medo e o desgaste do momento.
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