- O presidente da Apropesca afirma que o mau tempo teve um impacto recorde, com barcos parados desde dezembro.
- A organização, que reúne cerca de 120 associados, fatura mensalmente mais de dois milhões de euros, mas está a operar sem receber quotas.
- As melhores épocas de pesca já passaram ou estão a terminar, com o robalo a acabar a 15 de março, e há menos peixe disponível no mercado.
- O setor enfrenta aumento de preços nos leilões e dificuldades económicas locais; a Câmara de Vila do Conde já concedeu 250 euros a cada trabalhador.
- O Governo sinaliza um fundo de compensação salarial apenas para chegar em dezembro, e a situação de calamidade para os 68 concelhos terminou a 15 de fevereiro.
O mau tempo provocou um impacto recorde no setor da pesca artesanal. Pequenos barcos estão parados desde dezembro, e as embarcações maiores continuam paradas. A denúncia é feita pela Apropesca, organização de produtores da pesca artesanal, em Portugal.
Carlos Cruz, presidente da Apropesca, disse à Lusa que este ano o impacto atingiu níveis históricos. As embarcações estavam em atividade, mas pararam devido às condições meteorológicas adversas. O atraso persiste nas frotas, afetando a produção.
Muitas famílias já sentem os efeitos, com os armadores a pagar salários, alimentação e estadia aos trabalhadores, mesmo sem pescar. As despesas com estaleiros, seguros e manutenção também pesam sobre os armadores.
A Apropesca reúne cerca de 120 associados ao longo da costa, com faturação mensal superior a dois milhões de euros. Cerca de 1% desse valor corresponde às quotas, das quais a associação diz estar a trabalhar sem recebimento.
Apesar de o setor ter enfrentado períodos difíceis, as melhores épocas de pesca, como a do robalo que termina a 15 de março, estão a passar sem capturas significativas. O efeito reflete-se no comércio regional.
O mercado regional está parado e há escassez de peixe selvagem, o que prejudica a restauração. Com menos peixe disponível, os leilões apresentam aumentos de preço, segundo o presidente.
A Câmara de Vila do Conde já aprovou uma ajuda de 250 euros por trabalhador residente. O fundo de compensação salarial, anunciado pelo Governo, deverá chegar apenas em dezembro, segundo a associação.
Carlos Cruz destacou ainda que, para além dos prejuízos económicos, as praias ficaram inundadas por detritos de pinheiros e ramos arrastados para o mar, exigindo trabalho de limpeza intenso.
Numa visão global, o temporal causou destruição generalizada em várias regiões, com dezenas de mortos e centenas de feridos. As áreas Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
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