- A plataforma Global Wader visa promover a partilha de informação sobre aves limícolas, mas cerca de metade das espécies em risco não tem monitorização contínua e, nos conjuntos de dados existentes, 29,6% foram online.
- O estudo, publicado na Conservation Biology, analisou 195 espécies e 351 publicações entre 1989 e julho de 2023, acrescidas de dados do Movebank.
- Embora a disponibilidade online tenha aumentado, em 2022 já haviam 75% das publicações com dados originais disponibilizados online, com viés geográfico e de espécies, favorecendo a América do Norte, a Europa e a Austrália.
- A análise identificou 16 espécies que mais se beneficiariam de monitorização contínua, incluindo Calidris ferruginea, Charadrius thoracicus, Gallinago imperialis e Scolopax rochussenii.
- A plataforma pretende facilitar a cooperação entre investigadores globais, evitando que dados “morram no computador de alguém” e apoiando projetos de conservação e planejamento regional.
O estudo Global review of shorebird tracking data identifica falhas na monitorização de aves limícolas. Ele revela que, entre 195 espécies avaliadas, cerca de metade não tem monitorização contínua e pouco menos de 30% dos dados recolhidos foi partilhado online. Publicação em Conservation Biology, fevereiro.
Os autores analisaram 351 publicações entre 1989 e julho de 2023 e dados do Movebank. Ao cruzar informação com a plataforma Global Wader, verificou-se que 50% das espécies carecem de monitorização contínua, enquanto 29,6% dos dados foram disponibilizados online. Esses números indicam lacunas significativas.
O trabalho é assinado por investigadores da Universidade de Aveiro, incluindo José Alves, Camilo Carneiro e Hugo Ferreira, entre outros. A equipa defende que a partilha de dados é crucial para a conservação quase em tempo real, permitindo respostas rápidas a ameaças.
Dados disponíveis em 2022 mostram melhoria: 75% das publicações com dados originais já estavam online. Contudo, persiste um viés geográfico, com maior foco na América do Norte, Europa e Austrália, e maior atenção a espécies do hemisfério norte.
Entre as espécies que mais beneficiariam de monitorização contínua estão o pilrito-de-bico-comprido, o borrelho-de-madagascar e a narceja-imperial. A lista inclui também a galinhola-das-molucas e outras seis espécies associadas a áreas como o Sudoeste Asiático, Indonésia, África e América do Sul.
Os autores destacam que a coordenação entre equipas é essencial para instalar dispositivos de rastreio e para arquivar dados em estudos revisados por pares. A partilha facilita a reutilização de dados e amplia o impacto científico e conservacionista.
A Global Wader, lançada em 2023, é uma plataforma que mostra quais espécies são seguidas e onde. A ideia é facilitar a conexão entre investigadores que estudam as mesmas aves em diferentes regiões, evitando o isolamento de dados.
José Alves explica que a plataforma facilita o contacto entre equipas, promovendo colaborações globais. A meta é impedir que dados relevantes fiquem “morando no computador de alguém” e potenciar estratégias de conservação baseadas em dados partilhados.
O artigo aponta que a partilha de dados pode apoiar decisões alinhadas com mudanças climáticas e uso do solo, reforçando a necessidade de uma estratégia global para monitorizar limícolas migratórias, com impactos na conservação a longo prazo.
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