- A chuva forte provocou derrocadas em patamares, socalcos e muros na Região Demarcada do Douro, afetando caminhos, estradas e o enoturismo.
- Justina Teixeira, quinta em Mesão Frio, estima prejuízos de largos milhares de euros e impacta as atividades de enoturismo e trabalhos na vinha nesta altura do ano.
- A poda das videiras está parada e os trabalhos na adega são afetados; nenhum camião consegue carga na quinta, devido ao risco de deslizamento na via.
- Autarquias ajudam no preenchimento de formulários para a CCDR-N; relatos indicam quedas de muros e prejuízos significativos nas quintas da região.
- Agricultores apelam à participação na plataforma da CCDR-N para medir prejuízos e abrir linhas de apoio, num contexto de setor fragilizado e falta de seguros que cubram estes estragos.
O mau tempo provocou derrocadas de muros, patamares e vias na Região Demarcada do Douro, afetando caminhos, enoturismo e a atividade agrícola. Várias quinta e propriedades relatam prejuízos ainda por quantificar.
Justina Teixeira, proprietária de uma quinta em Mesão Frio, viu muros cair em diferentes zonas da herdade, gerando prejuízos de milhares de euros e limitando atividades de enoturismo e trabalhos sazonais.
A queda de estruturas inviabiliza a poda das videiras, atrasos na adega e faz com que o transporte de garrafas seja inviável, já que a via principal permanece interrompida por risco de deslizamento.
Impacto local e operacional
Cá na região, várias estradas apresentam desmoronamentos, dificultando o acesso de camiões para despacho de vinhos e a deslocação de trabalhadores. Autarcas ajudam no preenchimento de formulários de prejuízos.
Hugo Pinto, proprietário de uma quinta com nove muros derrubados, estima que repor um muro de 35 metros pode envolver perto de 18 mil euros apenas em mão-de-obra.
Casais produtores relatam quedas de muros de suporte à vinha, com receio de novos estragos enquanto a terra permanece encharcada. Em alguns casos, toda a estrutura da vinha ficou comprometida.
Noutros relatos, o deslizamento de terras chegou a eliminar dezenas de milhares de metros quadrados de solo, com videiras arrastadas e muros caídos que elevam os prejuízos para além de dezenas de milhares.
A associação Prodouro incentiva a participação na plataforma da CCDR-N para reportar perdas e permitir atualizações de apoio público, sublinhando que o setor está fragilizado pela chuva contínua.
Perspetivas e cenários
Viticultores de Lamego relatam prejuízos significativos na vinha, com estimativas iniciais de 55 mil euros para restabelecer a normalidade. A conjuntura de falta de seguro específico agrava a vulnerabilidade.
Rui Soares enfatiza que muitos produtores não possuem seguros adequados, existindo apenas coberturas de colheita que não cobrem desastres como deslizamentos e danos a estruturas.
Para além dos danos, o mau tempo não permite a realização de podas e encerra atividades de enoturismo, reduzindo renda imediata e complicando o calendário de vindimas e exportação.
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