- Estudo nacional sobre violência no namoro, apresentado no Porto, envolve oito mil e oitenta estudantes do 7º ao 12º ano, com média de idades de quinze anos.
- 68,2% dos participantes não consideram violência no namoro, pelo menos, um dos quinze comportamentos analisados; o controlo é o comportamento mais legitimado, com 53,4%.
- Outros comportamentos mais legitimados incluem perseguição (presencial e digital) com 40,9%, violência psicológica 27,6%, violência através das redes sociais 18,1%, violência sexual 15,1% e violência física 5,9%.
- Entre quem já teve relação de namoro, 66,7% reportaram vitimação, com o controlo (46,9%) e a violência psicológica (40,7%) entre os mais referidos.
- A investigadora Margarida Pacheco afirma que é necessária intervenção e prevenção nas escolas, sublinhando a urgência de mudar abordagens educativas sobre consentimento, direitos do corpo e relações de namoro.
Mais de 68% dos jovens inquiridos num estudo sobre violência no namoro aceitam como legítimos comportamentos abusivos, como perseguição e violência psicológica. O controlo é o comportamento mais tolerado, segundo as conclusões apresentadas no Porto.
O estudo nacional, promovido pela UMAR, foi divulgado numa conferência na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto. Variações entre géneros surgem sobretudo em relação ao controlo e à violência psicológica, identificadas como mais legitimadas.
Entre os 8.080 estudantes dos 7º ao 12º ano, com média de idades a rondar os 15 anos, participaram 5.356 jovens que já estiveram ou estão em relações. 66,7% relataram pelo menos um indicador de vitimização.
No conjunto de comportamentos avaliados, 68,2% dos alunos não consideraram violência no namoro pelo menos um dos 15 fenómenos. O controlo foi legitimado por 53,4% dos inquiridos.
Entre as modalidades mais referidas estão a perseguição, presencial e digital, com 40,9%, a violência psicológica com 27,6% e a violência através das redes sociais com 18,1%. A violência sexual e a física aparecem em patamares menores.
A investigadora Margarida Pacheco destacou que a taxa de legitimação é especialmente alta para o controlo e a violência psicológica, revelando uma diferença entre rapazes e raparigas. O fenómeno é associado a relações de amor romântico e posse.
Segundo a pesquisadora, o controlo dos telemóveis, o controlo de redes sociais, a pressão para beijar ou ter relações são exemplos de comportamentos legitimados. A humilhação e a partilha de conteúdos íntimos após o término aparecem entre os indicados.
As conclusões indicam que a legitimidade dos comportamentos ocorre em todas as faixas etárias estudadas, dos 12 aos 21 anos. A gravidade é real pelos impactos que afetam relações precoces e o desenvolvimento emocional dos jovens.
Pacheco advertiu que a prevenção é fundamental para evitar que estes padrões se repitam na vida adulta. Sem intervenção, os jovens podem tornar-se adultos com relações de intimidade marcadas pela violência ou pela perceção de normalidade.
Caso as raparigas demonstrem menor legitimidade de violência sexual, a investigadora sublinhou a necessidade de uma mudança na educação dos rapazes. Educar para consentimento e respeito pelo corpo é essencial desde o ensino básico.
O estudo enquadra-se no programa Art´Themis +, em vigor desde 2014, com foco na prevenção primária da violência de género nas escolas. Este ano, 2026, contou com 8.080 estudantes de Portugal Continental, Açores e Madeira.
A UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, é uma associação feminista fundada em 1976, responsável pela organização e divulgação das conclusões apresentadas. As informações deste estudo permanecem reportadas pela instituição sem sugestões de conclusão.
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