- Moradores da Azinhaga dos Formozinhos, em Almada, estão numa corrida contra o tempo para salvar pertences, já que o chão desliza nas encostas junto ao Tejo.
- Durante o terceiro dia, famílias ajudam‑se mutuamente para levar móveis e bens, enquanto enfrentam o sofrimento pela destruição da sua casa.
- Vizinhos e inquilinos aguardam autorização para descer ao bairro e retirar pertences; Maria Júlia e o marido, de 91 anos, encontram abrigo temporário no Inatel, na Costa da Caparica.
- O concelho de Almada tem registado vários deslizamentos nas arribas da Costa da Caparica e de Porto Brandão, com cerca de 500 pessoas deslocadas na zona; pelo menos 160 já foram acolhidas pela autarquia.
- O temporal já provocou dezasseis mortes em Portugal; o Governo prolongou a calamidade até ao dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Numa corrida contra o tempo, moradores da Azinhaga dos Formozinhos, em Almada, retiram bens para evitar que a terra deslize e leve parte da sua vida. O bairro fica junto às arribas entre Monte da Caparica e Porto Brandão, junto ao Tejo.
Pelo terceiro dia consecutivo, famílias, amigos e inquilinos juntam-se para transportar o que conseguem. Nesta azáfama, vários moradores ajudam-se mutuamente, apesar do peso emocional da situação.
Teresa Carvalho, que vive no bairro há 48 anos, e o filho Carlos Carvalho são proprietários de várias casas arrendadas na zona. Em intermediário entre o desespero e a esperança, descrevem a importância de proteger quem depende deles.
Situação no terreno e deslocações
A azáfaga decorre num acesso de terra batida que desemboca num espaço onde há automóveis a descarregar bens. O chão já cede em algumas zonas, com movimentos de encosta visíveis a poucos metros de habitações.
Alguns vizinhos permanecem à espera de autorização para aceder ao bairro e resgatar pertences, enquanto familiares e inquilinos ficam sob vigilância de autoridades locais. Moradores com mais de 70 anos pedem clareza sobre onde poderão viver temporariamente.
Maria Júlia, de 69 anos, está entre os que aguardam por uma solução estável. O marido e o pai, de 91 anos, foram acolhidos pela autarquia de Almada no Inatel, na Costa da Caparica, mas enfrentam incerteza sobre o futuro.
Contexto regional e resposta oficial
Desde o início das tempestades, Almada regista vários deslizamentos de terras nas zonas costeiras. Em Porto Brandão, cerca de 500 pessoas ficaram deslocadas; pelo menos 160 foram acolhidas pela autarquia.
As depressões Kristin, Leonardo e Marta causaram 16 mortos em Portugal e várias centenas de feridos, desalojados e estragos generalizados. As regiões de Lisboa e do Centro continuam entre as mais afetadas.
O Governo estendeu a situação de calamidade até 15 de março para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio que totalizam até 2,5 mil milhões de euros. As autoridades ressaltam a necessidade de proteger populações vulneráveis e acelerar realojamentos.
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