- A APA está a gerir as descargas das barragens para reduzir o risco de cheias, face à chuva persistente prevista para hoje e amanhã.
- Em Coimbra, no açude do Mondego, o caudal não pode superar dois mil m³/s; está actualmente em 1.500 m³/s, com a autoridade a testar o sistema.
- Solos saturados, agravados pela neve derretida na Serra da Estrela, elevam o escoamento e reduzem a margem de manobra para descargas eficazes.
- Incêndios anteriores na região centro deixaram solos frágeis, o que aumenta a sedimentação e o risco de derrocadas com as chuvas.
- Já houve deslocamento de mais de mil pessoas na lezíria do Tejo e do Sado; áreas como a margem esquerda de Águeda ficam inundadas e Prado pode registar cheias se o caudal exceder setecentos m³/s entre Homem e Cávado.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) alerta para uma situação elevada de cheias devido à precipitação persistente que se faz sentir hoje e que deverá continuar amanhã. O foco está nas barragens, cuja gestão tem sido orientada para reduzir o risco de inundações, especialmente na região do Mondego. A chuva aumenta a pressão sobre os depósitos de água, com solos saturados a agravar a situação.
A zona do Mondego é a mais sensível, devido a um açude próximo de Coimbra em que o caudal não pode exceder 2000 metros cúbicos por segundo para não comprometer os diques. O caudal atual ronda os 1500 metros cúbicos por segundo, e a APA adianta que o sistema está a ser testado há duas semanas para evitar falhas.
Desafios técnicos e ambientais
Os solos saturados funcionam como uma esponja, dificultando a absorção de água e acelerando a escorrência. A água da chuva junta-se ao derretimento de neve da Serra de Estrela, aumentando o caudal nos rios Mondego e Zêzere. Os impactos também incluem solos fragilizados pelos incêndios na região centro, que agravam o risco de deslizamentos.
Destaques regionais e medidas de mitigação
As inundações já obrigaram o deslocamento de mais de mil pessoas na lezíria do Tejo e do Sado. A situação no Tejo mostra pressão a diminuir, mas outras áreas permanecem em alerta. A margem esquerda de Águeda está inundada, com potencial de alargamento a áreas urbanas, e Prado, no concelho de Vila Verde, Braga, pode enfrentar inundações se o encontro entre os rios Homem e Cávado gerar caudais superiores a 700 metros cúbicos por segundo.
Perspetiva operacional da APA
O presidente da APA reafirma confiança na capacidade de evitar cenários extremos, embora adiante que a chuva contínua complica a gestão. As descargas controladas das barragens continuam como a principal ferramenta, num contexto de solos saturados e precipitação persistente.
Entre na conversa da comunidade