- Empresários do Médio Tejo alertam que os danos nas zonas industriais de Ourém, Caxarias, Ferreira do Zêzere e Tomar são comparáveis aos de Leiria, mas com menor visibilidade.
- Quase 7.000 pessoas em Ourém, 2.500 em Ferreira do Zêzere e mil em Tomar continuam sem energia, com centenas de empresas paralisadas e apoios ainda por chegar.
- Reivindicam apoios mais rápidos, incluindo fundo perdido, extensão de apoio de 10 mil euros a mais setores, moratórias fiscais, simplificação do lay-off, aceleração de linhas de crédito e celeridade na reconstrução.
- Acompanhamento do impacto económico é criado pela Nersant com a AIP, CIM do Médio Tejo e municípios, para identificar problemas, monitorizar medidas e coordenar intervenções.
Danos no Médio Tejo na mesma ordem de grandeza que em Leiria, mas com menos visibilidade, alertam empresários nesta região. A tempestade Kristin deixou zonas industriais de Ourém, Caxarias, Ferreira do Zêzere e Tomar com impactos relevantes, já passadas duas semanas.
Em Tomar, na CIM do Médio Tejo, o presidente da AIP afirmou que o grau de destruição nas empresas locais é semelhante ao observado na Marinha Grande e em Leiria. Ainda residem milhares sem energia nos respetivos concelhos, com centenas de empresas paralisadas e apoios ainda por chegar.
O balanço foi apresentado por representantes de Ourém, Ferreira do Zêzere, Tomar e da associação Nersant, destacando o atraso na disponibilização de medidas de apoio anunciadas pelo Governo. A ocasião contou com a participação de autoridades locais.
Propostas e perspetivas de apoio
Entre as principais reivindicações estão apoios a fundo perdido, a extensão de um apoio de 10 mil euros a setores além da agricultura e floresta, moratórias fiscais de pelo menos seis meses e simplificação do lay-off. Também pedem aceleração de linhas de crédito e celeridade na reconstrução.
José Eduardo Carvalho indicou que, desde a reunião de 2 de fevereiro, ainda não houve desbloqueio dos apoios. Amanhã haverá encontros em Leiria e na Figueira da Foz com a Unidade de Missão, o IAPMEI e o Banco Fomento, para clarificar as medidas.
O dirigente pediu a redução de entraves burocráticos e a garantia de que os apoios cheguem às empresas mais afetadas. Defendeu que as medidas devem considerar a realidade do Médio Tejo, onde a destruição industrial é grave.
Rui Serrano, presidente da Nersant, apontou os setores mais atingidos como agroindústria, indústria transformadora e construção, pela exposição às intempéries e interrupção de cadeias logísticas. Anunciou a criação de uma estrutura informal de acompanhamento económico da depressão Kristin.
Acompanhamento e próximos passos
A cooperação entre AIP, CIM do Médio Tejo e municípios visa monitorizar impactos, avaliar medidas já anunciadas e propor novas intervenções. O objetivo é acelerar a implementação e a coordenação institucional entre entidades.
Desde 28 de janeiro, quinze pessoas morreram em Portugal na sequência de Kristin, Leonardo e Marta. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas, com extraordinárias perdas em casas, empresas e infraestruturas.
O Governo estendeu a situação de calamidade até 15 de março para 68 concelhos e comprometeu-se com medidas de apoio que chegam a valores próximos de 2,5 mil milhões de euros.
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