- Os algoritmos das redes sociais moldam o que os utilizadores veem, mas a responsabilidade é partilhada entre plataformas e utilizadores.
- O investigador José Moreno diz que a lógica de lucro faz com que os feeds privilegiem conteúdos que geram emoção, indignação e exaltação.
- Estes conteúdos prendem mais a atenção, aumentando o tempo de permanência e as interações, o que eleva o lucro com publicidade.
- A desinformação é descrita como um efeito colateral do funcionamento algorítmico, com jovens e idosos mais vulneráveis à manipulação.
- A literacia mediática é essencial para verificar fontes e imagens; a campanha Iberifier tem divulgado vídeos explicativos sobre algoritmos.
No Dia da Internet Segura, o investigador José Moreno, do MediaLab do Instituto Universitário de Lisboa e membro do Iberifier, alerta para uma responsabilidade partilhada na desinformação das redes sociais. O foco é entender como o algoritmo, o lucro e a literacia mediática influenciam o que vemos online.
Moreno explica que a escolha não é unicamente das plataformas. Os utilizadores também moldam as recomendações através dos seus comportamentos online, que indicam aos algoritmos o que pretendem ver ou evitar. A relação é dinâmica e mútua.
As redes sociais visam o lucro através do tempo de permanência dos utilizadores, que se traduz em receita de publicidade. Assim, o algoritmo tende a promover conteúdos que geram mais interação e tempo de visualização, independentemente da veracidade.
Conteúdos que apelam à emoção, indignação e exaltação costumam manter a atenção, o que reforça a sua posição nas feeds. O resultado é que mensagens sensacionalistas tendem a ganhar maior visibilidade, segundo Moreno.
O investigador classifica a propagação de desinformação como um efeito colateral do funcionamento algorítmico. A dinâmica favorece conteúdos que prendem o público, muitas vezes à custa da verificação de factos.
Jovens e idosos aparecem como grupos de maior vulnerabilidade à manipulação algorítmica. Os mais velhos demonstram menor familiaridade com as plataformas, enquanto os mais jovens podem reagir menos a conteúdos falsos sem orientação crítica.
A literacia mediática surge como factor-chave para reduzir riscos. Moreno defende a verificação de fontes e imagens, apoiando pesquisas adicionais para confirmar a fiabilidade das informações.
A campanha promovida pelo Iberifier tem produzido vídeos explicativos sobre algoritmos e o modo como funcionam. O objetivo é sensibilizar o público para a tomada de decisões mais informadas online.
Para os interessados, estão disponíveis recursos educativos criados pela iniciativa, que explicam o papel dos algoritmos e a forma como as plataformas sugerem conteúdos.
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