- A realidade virtual pode ajudar a gerir traumas provocados pelas tempestades em Portugal, expondo os pacientes a cenários controlados de forma gradual.
- A técnica não remove o medo, mas contextualiza-o e dessensibiliza-o, com progressões de intensidade sempre supervisionadas por psicólogo.
- A abordagem é usada como complemento da psicoterapia, integrada em protocolos validados, e não como tratamento autónomo.
- A aplicação atual foca-se em fobias, ansiedade e pânico; a exposição assistida por realidade virtual tem evidência de eficácia e boa adesão.
- Até ao momento, a Ordem dos Psicólogos Portugueses não emitiu parecer específico sobre este tema.
Nos dias recentes, Portugal voltou a enfrentar tempestades intensas com consequências psicológicas significativas. A depressão Kristin, já somada a novas agudizações, trouxe devastação e incerteza para quem viveu a última vaga de cheias e perdas de casas.
Especialistas consideram que o impacto mental pode evoluir para quadros como o stress pós-traumático, à medida que as situações se repetem ou se agravam com eventos meteorológicos difíceis de prever. A leitura clínica aponta para o ressurgimento de gatilhos no tempo certo.
A psicóloga Carolina de Freitas Nunes explica que, neste momento, ainda é cedo para identificar gatilhos específicos, mas aponta que o medo pode surgir mais tarde, à medida que a memória do evento se consolidar. O acompanhamento emocional é essencial.
A prática da realidade virtual chega como possível apoio terapêutico. A técnica já é utilizada há quatro anos para tratar fobias e ansiedade, com exposições graduais que ajudam a dessensibilizar sem reexperimentar a situação de forma agressiva.
Em contexto clínico, a realidade virtual cria cenários controlados que vão aumentando de intensidade, sempre com supervisão profissional. A abordagem visa contextualizar o medo e melhorar a gestão emocional, sem revitimização.
A especialista reforça que não se trata de um tratamento autónomo, mas de uma ferramenta integrada em protocolos validados. A presença de psicólogos com formação específica é, portanto, mandatória para aplicar a técnica com segurança.
Os benefícios citados incluem redução do evitamento, melhoria da tolerância à ansiedade e avanços na dessensibilização emocional. A evidência internacional aponta para resultados comparáveis à exposição tradicional, com boa adesão dos pacientes.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses indicou, até ao momento, que não há parecer específico sobre o tema emitido publicamente. A entidade enfatiza a importância de aplicar a realidade virtual dentro de práticas clínicas certificadas.
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