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Enxurrada danifica máquinas históricas na Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços

Enxurrada danificou máquinas centenárias na Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços, causando danos avultados no núcleo museológico

Real dimensão dos estragos ainda está por apurar, mas máquinas centenárias foram afectadas
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  • Enxurrada provocou inundação no recinto da Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços, no Seixal, causando danos significativos nas máquinas centenárias.
  • Cerca de um terço do recinto, num conjunto de cerca de 13 hectares, ficou submerso, afetando mais da metade dos imóveis do complexo.
  • As caldeiras e a máquina a vapor centenárias devem ter sofrido estragos avultados, com intervenção muito significativa para a possível recuperação.
  • A fábrica, classificada em dois mil doze como monumento de interesse público e integrada no Ecomuseu Municipal do Seixal desde dois mil um, é frequentemente citada como exemplo de gestão do património industrial.
  • A Câmara do Seixal está a levantar as consequências das condições climatéricas adversas, ainda sem registos totais e com avaliação mais profunda por fazer.

A enxurrada provocada pelas fortes chuvas arrasou parte do recinto da Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços, no Seixal. O incidente ocorreu nesta quarta-feira e atingiu principalmente o núcleo museológico, onde se concentram máquinas centenárias e caldeiras. A área é classificada como monumento de interesse público desde 2012.

Segundo Graça Filipe, historiadora e fundadora do grupo EPPIC, a inundação foi repentina e resultou da mistura de águas pluviais com outras que não foram devidamente canalizadas. O terreno, que recebe águas há dias, não resistiu ao fluxo vindo de uma linha de água antiga que foi tapada na construção do complexo.

A inundação terá afetado mais de metade do conjunto de imóveis do complexo, com cerca de 13 hectares, e atingiu com gravidade as máquinas centenárias, incluindo caldeiras e máquinas a vapor. A avaliação inicial aponta danos significativos, cuja extensão ainda está por apurar.

Impacto no património

A água chegou a invadir a Avenida da Fábrica da Pólvora, abrindo passagem a pelo menos duas habitações próximas. A fábrica, que começou a ser desativada em 1998, é alvo de estudo por parte da Câmara do Seixal, que ainda não tem registos completos e pretende fazer uma avaliação aprofundada.

Contexto histórico

A unidade foi fundada no final do século XIX, após um acidente de 1897 na fábrica que a antecedia. Mantêm-se hoje elementos de energia mecânica a vapor, como uma caldeira de 1911 e uma máquina a vapor de 1900. A produção de pólvora negra ocorreu ao longo do século XX, principalmente para as colónias africanas.

Estado atual e próximos passos

A Câmara do Seixal está a levantar as consequências climatéricas adversas, sem ainda apresentar o quadro total de registos. O município planeia uma avaliação detalhada para entender o alcance dos estragos e orientar medidas futuras de proteção do espaço.

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