- A antiga Baixa era o centro da vida da cidade, com ruas cheias de pessoas que compravam e conversavam à vista de todos.
- O comércio ambulante incluía gravatas, azeite, carvão, pentes, meias e água com sabor a limão, vendido por pessoas da comunidade.
- O Se Zé Maria, vendedor de castanhas no inverno e “sorvetes” no verão, tornou-se figura emblemática dessa época.
- Diante de dificuldades económicas, ele aceitava pagamentos futuros: “Paga quando tiver” ou “Paga quando for homem”, mantendo-se fiel à freguesia.
- Um episódio de pedagogia cívica revela que ele limpava as ruas e respondia a palavras feias, tornando os vendedores ambulantes parte do património da cidade.
Quando a cidade era densa e habitada, a Baixa era o coração vivo onde as ruas pertenciam às pessoas. Mergulhavam-se caminhadas, conversas e trocas de tudo o que a vida exigia ou desejava.
Os vendedores ambulantes moldaram a identidade da zona, vendendo desde gravatas a azeite, carvão, pentes, meias e água com sabor a limão. Entre eles destacava-se Se Zé Maria, o aldeão que vendia castanhas no Inverno e sorvetes no Verão.
Nessa rua antiga, o quotidiano era feito de negociações ao nível do rés-do-chão. Quando a freguesia enfrentava dificuldade, dizia-se Paga quando tiver ou Paga quando for homem, mantendo a confiança entre vizinhos.
Património Vivo das Ruas
O director da Escola Oliveira Martins, situada na Rua do Sol, lembra ainda a atuação de Zé Maria como ensinamento de limpeza pública. Ao contrair o lixo das cascas, ele passava a varrer e a educar a população sobre manter a rua cuidada.
Quem descreve esse tempo afirma que as palavras dele ficaram gravadas na memória de muitos. Hoje, os vendedores que mantêm a cidade com traços de identidade devem ser vistos como Património. Eles representam, de forma inequívoca, a memória coletiva do espaço urbano.
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