- Valor Sentimental, de Joachin Trier, chegou às salas portuguesas e é destacado como o “filme europeu do ano”; chega aos Óscares com nove nomeações.
- O filme tem uma abordagem memorialista e reflexiva sobre o cinema, com grandes planos de rosto de Stellan Skarsgård, Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas.
- Trier diz que, quando alguém diz que o filme lembra Bergman, é um elogio; Bergman foi importante para Woody Allen, e a conversa menciona obras como Persona e Fanny e Alexander.
- Sonata de Outono, de Bergman, foi filme de cabeceira de João Canijo e inspirou o díptico Mal Viver/Viver Mal; Canijo, cineasta português, faleceu aos 68 anos na última semana.
- A narrativa liga Bergman, Canijo e o cinema europeu contemporâneo, num episódio que pode ouvir no podcast No Escuro, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.
Valor Sentimental, do norueguês Joachim Trier, chegou recentemente às salas portuguesas. O filme, considerado o filme europeu do ano pela Academia Europeia de Cinema, recebe nove nomeações para os Óscares. A obra destaca-se pelo tom memorialista e pela reflexão sobre o cinema, com foco em personagens e temas caros ao cinema europeu.
Os protagonistas são personagens ligados a grandes planos de rosto, com atuação de Stellan Skarsgård, Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleås. O filme tem sido descrito como uma releitura de referências clássicas, ao mesmo tempo em que firma uma voz contemporânea no cinema europeu.
Numa entrevista ao Ípsilon, Joachim Trier fala sobre as referências a Bergman que alguns espectadores sentem no filme. O realizador afirma que não pretende imitar, mas dialoga com o legado de Bergman, aos olhos de uma nova geração de espectadores na Noruega.
Conexões entre Bergman e Canijo
A conversa aborda ainda a figura de Ingmar Bergman, com referência a Sonata de Outono (1978), título que ligou Bergman e Ingrid na Noruega. O filme também é ligado ao abandono de uma filha, tema que aparece de forma indireta em Valor Sentimental.
O texto aponta uma hipótese sobre a relação entre Bergman e o cinema contemporâneo português. Enquanto Bergman foi integrado ao mainstream, o público actual pode procurar epifanias e temer o risco de se magoar, abrindo espaço para leituras mais contidas.
No âmbito da produção, surge a referência ao cineasta português João Canijo, que desapareceu recentemente aos 68 anos. Canijo é descrito como figura de imagem central no cinema português moderno, com uma obra que procura incomodar e aproximar o público do cerne do tema.
O episódio traça paralelos entre a receção de Bergman no passado e o percurso de Canijo no cinema de hoje. O diálogo percorre como a memória e a reflexão sobre o cinema moldam leituras de filmes recentes.
O conteúdo integra ainda a divulgação de um podcast intitulado No Escuro, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara. A produção semanal está disponível no site do jornal e em plataformas de áudio. A música de abertura é uma peça do Rodrigo Amado Quartet.
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