- A Federação de Estudantes de Hong Kong (HKFS) anunciou a dissolução da organização, após 68 anos de atuação, alegando pressão crescente.
- A HKFS foi fundada em 1958 e reunia associações de estudantes de instituições de ensino superior da região, com “uma longa história de ativismo” em movimentos estudantis.
- Em declaração publicada no Facebook, a federação informou ter decidido encerrar as atividades, após uma reunião do comité permanente aprovar o início do processo de dissolução.
- O líder Isaac Lai disse ao Hong Kong Free Press que muitos grupos estudantis já optaram pela dissolução recentemente e que não havia outra solução.
- Relatos de organizações de direitos humanos apontam para o enfraquecimento das liberdades em Hong Kong desde a imposição da lei de segurança nacional em 2020, o que, segundo a HRW, molda o desmantelamento do espaço cívico e o princípio “um país, dois sistemas”.
A Federação de Estudantes de Hong Kong (HKFS) anunciou a dissolução da organização, aos 68 anos de vida, devido à pressão crescente que tem enfrentado. A decisão foi tomada após uma reunião do comité permanente realizada nesta quinta-feira, em Hong Kong. A HKFS justificou o encerramento das atividades pela evolução das circunstâncias.
A federação, fundada em 1958, agrega associações de estudantes de instituições de ensino superior da região administrativa chinesa e é descrita como tendo uma história de ativismo em movimentos estudantis. Em comunicado publicado no Facebook, a HKFS afirma ter estado presente nos principais eventos políticos e sociais do território ao longo de quase sete décadas.
O líder da HKFS, Isaac Lai, disse ao Hong Kong Free Press que muitos grupos estudantis têm optado pela dissolução recentemente e que a organização não vê outras opções diante da pressão vigente. Segundo a HKFS, a dissolução é o único caminho possível perante os constrangimentos atuais.
Contexto internacional e direitos humanos
A decisão ocorre num contexto de críticas internacionais sobre retrocesso das liberdades em Hong Kong desde a entrada em vigor da lei de segurança nacional em 2020. Pequim e Hong Kong defendem que a lei restaurou a ordem após grandes manifestações de 2019.
A Human Rights Watch (HRW) descreveu, num relatório recente, um desmantelamento do espaço cívico desde 2020, apontando prisões de opositores, encerramento de órgãos de comunicação independentes e expulsões de grupos da sociedade civil. A HRW sustenta que o território deixou de ser reconhecível como uma sociedade livre cinco anos após a implementação da lei.
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