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Descarbonizar aviação: combustível não fóssil não basta

SAF não basta para descarbonizar a aviação: emissões devem subir três por cento ao ano até 2050, a menos que o tráfego caia para níveis de 2010

Aviação irá competir com outros setores pelos biocombustíveis
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  • Segundo o The Shift Project, em parceria com a Aéro Décarbo, os combustíveis não fósseis não serão suficientes para reduzir as emissões da aviação, que devem crescer cerca de três por cento ao ano até 2050.
  • Os SAF são a principal alavanca, mas, hoje, provêm de óleo usado ou biomassa; no futuro, prevê-se combustíveis sintéticos a partir de hidrogénio verde e captura de carbono.
  • A produção de combustíveis sintéticos é cara e intensiva em energia; seriam precisos cerca de dez mil terawatts-hora de eletricidade para substituir o consumo global de querosene.
  • As projeções apontam para o tráfego aéreo duplicar para cerca de dez mil milhões de passageiros nos próximos vinte e cinco anos, tornando improvável reduzir as emissões sem cortar o tráfego.
  • Os autores defendem que, para cumprir um orçamento de carbono compatível com 1,7 °C, o tráfego global teria de diminuir pelo menos quinze por cento em cinco anos, seguido de retoma gradual com SAF em implementação.

Os combustíveis não fósseis não serão suficientes para reduzir a pegada de carbono da aviação, aponta um relatório conjunto do The Shift Project e da Aéro Décarbo. As emissões da aviação devem crescer cerca de 3% ao ano até 2050.

O estudo indica que, mesmo com SAF, o setor não conseguirá atenuar o aumento previsto das emissões face ao crescimento do tráfego. A conclusão é de que seria necessário voltar aos níveis de tráfego de 2010 para manter qualquer controlo.

Os SAF atuais são derivados de óleo usado ou biomassa, com a promessa de fontes sintéticas no futuro. Estas incluem combustíveis produzidos a partir de hidrogénio verde e captura de carbono.

Limites físicos e energéticos

A produção de combustíveis sintéticos exige grande quantidade de energia, tornando-a cara e intensiva. O relatório cita a necessidade de cerca de 10.000 terawatts-hora de eletricidade para substituir o consumo global de querosene.

A biomassa, por sua vez, está sujeita a impactos da agricultura e da silvicultura e enfrenta competição com outros setores por recursos.

Cenário de futuro e ações necessárias

Mesmo sob projeções mais otimistas, as emissões da aviação não diminuem até meados do século e devem manter-se, em média, 3% acima de 2024 entre 2025 e 2050, devido ao aumento previsto do tráfego.

Prevê-se que o tráfego duplique para 10 mil milhões de passageiros nos próximos 25 anos. Para manter o orçamento de carbono, o relatório sustenta que o tráfego global teria de diminuir, pelo menos, 15% em cinco anos.

Após esse recuo, o tráfego poderia retomar gradualmente, desde que os SAF sejam implementados de forma eficaz e os conflitos de utilização de biomassa, eletricidade e outras fontes sejam resolvidos.

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