- O chef João Rodrigues vai abrir o restaurante Mogo, na Península de Tróia, nesta Primavera, assinalando o regresso a uma cozinha mais autoral enraizada na paisagem local.
- A carta é estruturada a partir de oito paisagens, reunidas em três famílias — Água, Duna e Terra — com cada prato a representar uma paisagem específica, respeitando produtos e limites naturais.
- O projeto é descrito como uma leitura da paisagem envolvente (mar, rio, estuário, dunas) que serve de método culinário, desenvolvido a partir de dois anos de investigação no território.
- O Mogo resulta de parcerias com profissionais de várias áreas, incluindo botânica, e com o Na Praia, hotel independente, e conta com a curadoria do Projecto Matéria para questionar o sistema alimentar e reconectar o alimento à origem.
O chef João Rodrigues vai abrir um novo restaurante na Península de Tróia, na próxima primavera. Chama-se Mogo e marca o regresso a uma cozinha mais autoral, enraizada na paisagem que envolve o espaço: mar, rio, estuário e dunas. A proposta nasce da leitura da paisagem e da transformação em método culinário, segundo o comunicado enviado pela equipa.
O projeto surge como o primeiro restaurante inteiramente independente de João Rodrigues desde a saída do Feitoria em 2022. O canal de desenvolvimento inclui o Canalha, em Lisboa, inaugurado no final de 2023. Deste modo, Mogo representa a consolidação de uma visão que privilegia a ligação entre território e cozinha.
A carta estruturada em oito paisagens está organizada em três famílias temáticas: Água, Duna e Terra. A Água conduz os pratos, reunindo mar alto, rocha, rebentação e confluência do estuário. A Duna assenta num ecossistema central, com camadas que vão desde a embrionária até ao sapal. A Terra contempla a planície agrícola, o montado e a serra.
Cada prato visa representar uma paisagem específica, com foco no respeito pelos produtos locais e pelos limites naturais de cada ambiente. O mar surge como janela aberta ao mundo, mantendo a duna como eixo central visível a partir das janelas do restaurante. A leitura inclui plantas autóctones, crustáceos e outros elementos da fauna ainda pouco presentes na gastronomia contemporânea.
O projeto resulta de dois anos de investigação no território, com observação de ciclos naturais, identificação de espécies e análise de cruzamentos entre mar, estuário, duna e terra. O nome Mogo remete a um marco territorial antigo que delimita terrenos ou caminhos, simbolizando presença.
Além do espaço gastronómico, o Mogo funciona como área de investigação de base, associada ao Projecto Matéria, criado por João e Vânia Rodrigues para questionar o sistema alimentar e reconectar o alimento à origem: terra, pessoas e território. O espaço foi desenvolvido em parceria com Na Praia, hotel independente de longa data em termos de conservação, arquitetura e responsabilidade territorial.
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