- Entre janeiro e dezembro de 2025, os sindicatos apresentaram 839 pré-avisos de greve, 23,7% menos do que em 2024, o valor mais baixo desde 2020, segundo a Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
- A maioria dos pré-avisos de greve de 2025 ocorreu no setor privado (661, 78,8%), com 178 no setor empresarial do Estado.
- Em dezembro de 2025 foram registados 64 pré-avisos de greve, menos 72,2% face a dezembro de 2024, dominante no setor não empresarial do Estado (87,5%).
- Em dezembro houve 44 serviços mínimos decretados, mais 51,7% do que no mesmo mês de 2024.
- A greve geral convocada pela CGTP e pela UGT em dezembro enquadrou-se num contexto de alterações à legislação laboral, com o Governo a defender uma definição mais exigente dos serviços mínimos sem eliminar o direito à greve.
O número de pré-avisos de greve entregues em 2025 diminuiu 23,7% face a 2024, chegando aos 839. O dado é da DGERT e representa o valor mais baixo desde 2020. Entre janeiro e dezembro, os sindicatos enviaram menos avisos do que no ano anterior.
Do total de 839 pré-avisos registados, 661 dizem respeito ao setor privado (78,8%), enquanto 178 dizem respeito ao setor empresarial do Estado. Os dados dizem respeito apenas aos avisos entregues pelos sindicatos, sem quantificar greves desconvocadas.
Contexto e números por setor
A edição de 2025 marca o terceiro recuo consecutivo desde 2021, conforme análise da Lusa com base na DGERT. Os dados da DGERT não contabilizam greves de serviços públicos comunicadas a entidades diferentes, nem as que não evoluíram para concurso público.
Em 2025, os serviços mínimos recuaram 7,3% face a 2024, totalizando 178. Janeiro registou 64 pré-avisos, a descida de 72,2% face a dezembro de 2024, com a maioria no setor não empresarial do Estado (56).
Dezembro e o cenário da greve
No último mês, o setor de transportes e armazenagem concentrou 22% dos avisos, seguido pela indústria transformadora e por atividades administrativas e de apoio, cada uma com 20%. Em dezembro, foram decretados 44 serviços mínimos, mais 51,7% que em diciembre de 2024.
Aquele mês coincidiu com a greve geral convocada pela CGTP e pela UGT, vinculando-se à proposta governamental de alteração da legislação laboral. A reforma tem sido alvo de críticas por parte das centrais sindicais.
Contexto legal e funcionamento dos serviços mínimos
O Governo propõe ampliar os serviços mínimos para incluir cuidados a crianças, idosos, doentes e pessoas com deficiência, bem como setores de abastecimento alimentar e segurança privada de bens essenciais. O objetivo é tornar os serviços mínimos mais exigentes, sem eliminar o direito à greve.
O Código do Trabalho já prevê que, em caso de greve, os serviços mínimos cubram necessidades sociais impreteríveis, incluindo saúde, energia, água, bombeiros, transportes e outros serviços essenciais à economia.
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