- Médicos internistas proponem reorganizar o modelo hospitalar com liderança clínica da Medicina Interna e responsabilidade partilhada de todas as especialidades, para reforçar qualidade, segurança e sustentabilidade do SNS face às urgências.
- A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), numa carta enviada à ministra da Saúde, ao diretor executivo do SNS e ao bastonário da Ordem dos Médicos, expressa profunda preocupação com o atual modelo de gestão clínica hospitalar.
- O documento Reforma Hospitalar aponta fragilidades da governação clínica e apresenta soluções estruturantes para reorganizar os serviços e valorizar a polivalência e a centralidade do internista no percurso do doente.
- A proposta defende liderança clínica clara da Medicina Interna, com participação ativa de toda a organização hospitalar, e reconhecimento formal da especialidade como líder do internamento médico.
- A SPMI sustenta que é imperativo uma transformação institucional integrada, envolvendo todas as especialidades na resposta ao doente agudo, para assegurar a sustentabilidade do SNS e a qualidade dos cuidados.
Médicos internistas apresentaram uma proposta de reorganização do modelo hospitalar, com liderança clínica da Medicina Interna e responsabilidade partilhada de todas as especialidades. O documento foi enviado numa carta divulgada nesta terça-feira.
A carta, dirigida à ministra da Saúde, ao diretor executivo do SNS e ao bastonário da Ordem dos Médicos, é assinada pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Luís Duarte Costa. A relevância da mensagem prende-se com a pressão sobre urgências e internamentos.
Segundo a SPMI, a afluência de doentes com patologia médica aguda, multimorbilidade e fragilidade social supera a capacidade dos modelos organizativos atuais. A organização médica é apontada como o pilar fundamental do SNS, mas o modelo vigente mostraria sinais de exaustão.
Reforma Hospitalar: argumentos centrais
A SPMI defende reconhecer formalmente a Medicina Interna como especialidade líder do internamento médico e gestor do doente complexo. A responsabilidade de resposta ao doente médico deve recair sobre o hospital como entidade integrada, não sobre uma única especialidade.
O documento “Reforma Hospitalar” propõe soluções estruturais para reorganizar serviços e valorizar a polivalência. Propõe também uma maior centralidade do internista no percurso do doente, com participação ativa de toda a organização hospitalar.
A propostas apontam modelos organizativos que integrem todas as áreas na resposta ao doente agudo. A SPMI sublinha que a liderança clínica deve ser proporcional às responsabilidades, promovendo renovação geracional e sustentabilidade futura.
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