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Bebês de dois meses veem o mundo de forma mais complexa do que se pensava

Bebés de dois meses distinguem categorias visuais num estudo com fMRI, sugerindo desenvolvimento cognitivo mais precoce do que se pensava, publicado na Nature Neuroscience

Bebé
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  • Um estudo publicado na Nature Neuroscience sugere que bebés de dois meses distinguem entre diferentes objetos, o que é mais cedo do que se pensava.
  • O estudo, com 130 bebés de dois meses, utilizou ressonância magnética funcional (fMRI) para observar a função visual enquanto estavam acordados.
  • Os bebés viram imagens de doze categorias comuns no primeiro ano de vida, e os seus cérebros reagiam de forma distinta consoante a imagem apresentada.
  • Seguiram-se dados de 66 bebés aos nove meses, mostrando que o cérebro distingue seres vivos de objetos inanimados com maior clareza.
  • A autora principal, Cliona O’Doherty, do Trinity College Dublin, destaca que os resultados indicam uma interação com o mundo mais complexa aos dois meses do que o esperado.

Um estudo publicado na Nature Neuroscience revela que bebés de dois meses conseguem distinguir entre diferentes objetos do seu ambiente, uma capacidade mais precoce do que a previamente estimada. A pesquisa envolve 130 bebés acordados, submetidos a imageamento cerebral.

Os bebés foram expostos a imagens de 12 categorias comuns no primeiro ano de vida, como árvores e animais. Quando olhavam para imagens de um gato, os seus cérebros mostravam respostas específicas registadas pelos investigadores; objetos inanimados geravam padrões diferentes.

A técnica utilizada foi a ressonância magnética funcional (fMRI), que permite medir a função visual com maior precisão. Estudos anteriores baseavam-se no tempo de visualização, o que é mais difícil em bebés muito jovens.

Resultados e acompanhamento

Ao apresentar dados de 9 meses, 66 bebés regressaram para novas medições, com resultados que mostraram uma dicotomia mais clara entre seres vivos e objetos inanimados do que aos dois meses. Os investigadores destacam a maturação progressive destas respostas.

A autora principal, Cliona O’Doherty, sublinha que a capacidade de agrupamento de categorias já existe aos dois meses, sugerindo uma interação com o mundo mais complexa do que se pensava. O estudo foi realizado no Trinity College Dublin, na Irlanda.

Liuba Papeo, do CNRS, elogia a amostra extensa de bebés como fator de relevo para a robustez dos resultados. O desafio logístico de manter os bebés relaxados no equipamento é referido pela pesquisadora, que descreve a experiência como confortável para o bebé.

Os autores destacam o potencial de correlacionar imagens cerebrais com resultados cognitivos futuros ao longo da infância, embora reconheçam que mais investigação é necessária para ligar a neurofisiologia a desfechos concretos.

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