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Bebés de dois meses percebem mundo de forma mais complexa do que se pensava

Estudo com 130 bebés de dois meses mostra que o cérebro distingue categorias de objetos, sugerindo desenvolvimento cognitivo mais precoce do que se pensava

A bebé Sadie com a sua mãe Donna a participarem na investigação
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  • Um estudo com 130 bebés de dois meses mostra que conseguem distinguir entre objetos diferentes, o que sugere uma complexidade do desenvolvimento cognitivo mais precoce do que se pensava.
  • Os bebés foram submetidos a exames de imagem cerebral (fMRI) enquanto viam imagens de 12 categorias comuns no primeiro ano de vida, como árvores e animais.
  • Ao olhar para imagens de gatos, por exemplo, os cérebros registavam respostas distintas face a objetos inanimados, indicando agrupamentos categóricos já aos dois meses.
  • No grupo de nove meses, a diferenciação entre seres vivos e objetos inanimados ficou ainda mais clara, com os investigadores a comparar os padrões entre idades.
  • O estudo, publicado na Nature Neuroscience, pode, no futuro, ajudar a ligar imagens cerebrais a resultados cognitivos mais tarde na vida.

Os bebés de dois meses já conseguem distinguir entre objetos diferentes, segundo um estudo publicado na revista Nature Neuroscience. A investigação analisou a atividade cerebral de 130 bebés acordados, usando fMRI, para perceber como o cérebro processa imagens de objetos comuns no primeiro ano de vida.

Ao observar imagens de 12 categorias, como animais e objetos inanimados, os investigadores registaram padrões diferentes conforme o conteúdo visual apresentado. Os resultados indicam que, aos dois meses, o cérebro já distingue entre categorias, num nível mais próximo do esperado do que se pensava.

O estudo acompanhou ainda uma segunda fase com 66 bebés que regressaram aos nove meses. Nessa idade, o cérebro distingue melhor entre seres vivos e objetos inanimados, sugerindo um desenvolvimento contínuo da categorização visual.

Metodologia e participantes

A pesquisa, conduzida no Trinity College Dublin, utilizou ressonância magnética funcional para observar a função visual dos bebés. O grupo incluiu 130 bebés de dois meses.

O procedimento exigiu que os bebés permanecessem imóveis e acordados dentro do equipamento, com a experiência ajustada para o conforto dos pequenos, incluindo almofadas de apoio e imagens grandes dentro da tela.

Resultados e implicações

Os padrões de ativação cerebral variaram conforme a imagem apresentada, mostrando tratamento distinto entre objetos como gatos e elementos inanimados. Os autores destacam que as descobertas revelam uma capacidade de agrupamento de categorias já aos dois meses.

A equipa aponta para a importância de vincular estes dados com resultados cognitivos futuros na vida adulta, abrindo perspetivas para compreender o desenvolvimento cognitivo na primeira infância.

Limites e perspetivas

A investigadora principal ressalta que o tamanho da amostra, particularmente na fase com apenas dois meses, é relevante para o contexto do estudo. Outros estatísticos da área destacam a complexidade de obter imagens de bebés tão jovens em fMRI.

A autora sublinha que o objetivo é mapear o desenvolvimento de forma mais integrada, contribuindo para uma visão mais precisa do processamento visual na primeira infância.

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