- O Hospital Vall d’Hebron, em Barcelona, realizou o primeiro transplante mundial de cara a partir de uma doadora que pediu a eutanásia; o procedimento ocorreu no ano passado.
- A preparação envolveu planeamento com tecnologias inéditas, incluindo modelos de software em três dimensões para melhorar a reconstrução e a adaptação dos ossos.
- O caso foi um transplante parcial; o Vall d’Hebron já realizou o primeiro transplante total de cara em 2010, e existem registos de cinquenta e quatro transplantes de cara, com três realizados no próprio hospital.
- A recebedora, apresentada apenas como Carme, tinha a cara desfigurada por infeção bacteriana, mas já pode comer, falar e tomar café; espera recuperar totalmente em cerca de um ano.
- Cerca de cem profissionais do Vall d’Hebron estiveram envolvidos, desde cirurgias plásticas a psiquiatria.
Um hospital de Barcelona realizou, no ano passado, o primeiro transplante mundial de face a partir de uma doadora que pediu eutanasia. A equipa médica anunciou a operação durante uma conferência de imprensa em Barcelona, onde a paciente recebida foi apresentada apenas como Carme.
O procedimento aconteceu no Hospital Vall d’Hebron, onde já se realizou o primeiro transplante total de face em 2010. O novo caso corresponde a um transplante parcial, planeado com tecnologias inéditas e com o apoio de softwares de modelação 3D.
Segundo a equipa, a doadora, uma mulher que solicitou a eutanásia, autorizou ainda a doação dos órgãos e, pela primeira vez, da face. A decisão permitiu um planeamento detalhado e a utilização de instrumentos avançados para otimizar o encaixe ósseo e a função muscular.
O chefe da unidade de cirurgia plástica e queimados, Joao-Pere Barret, explicou que o objetivo não foi apenas melhorar a aparência, mas devolver funções e sensibilidade. Transplantes faciais envolvem estruturas diminutas e a conexão de músculos e tecidos com diâmetros inferiores a um milímetro.
Carme, que também participou na conferência, descreveu a recuperação: deixou de ter a face desfigurada pela infeção e retomou funções básicas, como comer, falar e sair de casa. A paciente já realiza fisioterapia e prevê estar plenamente recuperada dentro de cerca de um ano.
Respeitando a legislação espanhola, Carme e a doadora não tiveram contacto nem se conheceram. O médico Barret sublinhou a surpresa emocional associada à decisão de doar a face e destacou a satisfação de todo o processo.
Cerca de 100 profissionais do Vall d’Hebron estiveram envolvidos, desde cirurgiões plásticos a psiquiatras, no âmbito deste procedimento. A operação destaca-se pela utilização de planeamento tridimensional e pela colaboração entre várias especialidades.
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